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19/02/2009

Sem título possivel

Saiu na Folha:

Tribo indiana casa menino com cadela para acabar com maldição

Os membros de uma tribo do leste da Índia casaram um menino de 18 meses com uma cadela com a esperança de acabar com o que consideram uma maldição que ameaça o bebê, informa uma agência de notícias local.

Os pais de Sangula se deixaram convencer da necessidade de matrimônio do filho com o animal depois que descobriram um dente a mais na gengiva superior da criança.

Para a tribo, que vive no Estado de Orissa, isto significa um mau presságio que torna o menino mais propenso a ataques de animais como um tigre.

Para eles, somente o casamento com uma cadela poderia afastar o azar.

Uma cerimônia religiosa, com 150 participantes, aconteceu em um templo hindu do departamento de Jajpur, segundo a agência United Press of India (UNI). A cadela usava anéis e uma corrente de prata, como exige a tradição.

Sangula foi levado por sua família em procissão até o templo da vila, onde um sacerdote realizou o casamento entre Sangula e sua noiva Jyoti ao cantar hinos em sânscrito.

Os participantes então comeram um banquete e beberam para celebrar. O cachorro ficou livre para andar pelo local após a cerimônia.

O garoto ainda poderá se casar com uma mulher no futuro sem ter de se divorciar. A lei indiana não reconhece casamentos entre pessoas e animais, mas o ritual sobrevive em áreas rurais tribais.

O pai de Sangula, Sanrumula Munda, afirmou que permitirá que o filho encontre um dia uma esposa de verdade.

No fim de 2007, um camponês indiano de Tamil Nadu (sul) também se casou com uma cadela, convencido de que via imagens dos espíritos de dois cães que havia matado anos antes.


...

22/12/2008

"Você sabe o que é caviar? Nunca vi nem comi, eu só ouço falar."

Itália vai distribuir caviar apreendido para os pobres

da Folha Online

As autoridades da cidade de Milão, no norte da Itália, estão se preparando para distribuir 40 kg de caviar beluga aos pobres da cidade, como presente de Natal. A iguaria foi apreendida em novembro passado, depois de ser descoberta com dois homens que haviam saído da Polônia e que levavam a carga escondida.

Segundo o jornal "Corriere Della Serra", essa quantidade de caviar beluga --a variedade mais cara de todas-- valeria US$ 550 mil, o equivalente a R$ 1,3 milhão.

A polícia italiana conduziu testes para confirmar que o caviar é comestível e agora a carga vai ser distribuída a cantinas de instituições de caridades e abrigos do governo.

Vários países europeus investiram na luta contra o comércio ilegal de caviar, depois que mais de 600 toneladas do produto foram contrabandeadas na União Européia entre 1998 e 2004. No entanto, no ano passado, as Nações Unidas suspenderam uma sanção que proibia a exportação de caviar beluga, depois que os países do Mar Cáspio concordaram em limitar a pesca do esturjão beluga, peixe do qual a iguaria é retirada.

A proibição havia sido imposta porque a espécie estava rapidamente desaparecendo do Mar Cáspio, fonte de cerca de 90% do caviar do mundo.



O mundo da assintência social nunca mais será o mesmo depois disso! Genial! Estou me esforçando muito e não consigo imaginar algo que deixaria os pobres italianos mais felizes nesse natal...

25/10/2008

Estou curada!

Vocês não vão acreditar, mas eu já consigo rir dessa também:

A ordem no Planalto é clara: mostrar tranquilidade em relação à crise. Lula deu o exemplo. “Meninos, podem continuar tomando a cervejinha de vocês. Não se deixem impressionar com esse negócio de crise que está aí e continuem aproveitando os prazeres da vida”, afirmou o presidente ontem para os fotógrafos que registravam no seu gabinete o encontro com o governador da Bahia, Jacques Wagner.
Do Direto da Fonte (Sonia Racy, Estadão)


Estou definitivamente curada!

20/10/2008

Nunca tinha pensado nos albinos...

Vocês conhecem a Associação de Albinos da Tanzânia? Sim, ela existe. Não foi o começo de uma piadinha ruim. Muito pelo contrário. Essa é a introdução de um assunto sério que beira o absurdo, mas de grande valia para lembrar da imensidão de coisas das quais eu não faço a mínima idéia e da necessidade de apreender, sempre, a diversidade do mundo.

Antes de dar os fatos completos, uma indagação justa seria: como assim uma associação de albinos? Eles não são um grupo político, não existe uma ideologia albina, não são uma "raça" (se é que isso existe), não são vizinhos lutando pelo interesse de seu bairro, não são uma categoria profissional. Albinismo é uma condição genética, portanto, na minha cabeça limitada, a existência de tal associação faz tanto sentido quanto pensar em uma Associação dos Calvos do Brasil.

Isso começa a fazer mais sentido com a manchete Albinos na Tanzânia pedem proteção contra mortes para rituais, na Folha (leia).

Não que eu seja uma pessoa completamente ingênua, mas isso foi demais para mim, demorei algum tempo tentando entender (dentro do mundo como eu vejo e vivo, esse foi o problema) como algo dessa ordem "ainda" acontece... que bobinha. Foi aí que encontrei um blog muito interessante, chamado Antropocoiso (conheça!), que trata do contexto cultural dessa questão (o que não foi nem ensaiado na matéria da BBC Brasil, infelizmente). Continuo boquiaberta, mas entendendo um pouco melhor, sempre um bom exercício...

22/09/2008

Procura-se infância

Já em casa, com a bagunça natural das viagens eliminada, retomei meus hábitos, mesmo os irritantes, como ficar lendo jornais e reclamando de tudo que leio.

Dessa vez, o que me tirou do sério foi uma matéria do estadao.com.br sobre os "Tops Mirins" essas pobres criancinhas exploradas por mães frustradas e megalomaníacas, agências inescrupulosas e um mercado de moda infantil (olha que coisa assustadora esse termo) em grande crescimento. Esses mini adultos que chegam a ganhar 15 mil por mês.

Fiquei pensando em não ser tão crítica, fiz algumas contas tentando me convencer de que talvez seja besteira minha e esse seja um belo investimento. O problema que não consegui encontrar alguns dados. Fui colocando na minha planilha mágica dados do tipo: salário mensal 15.000 - no final do período (período aqui é a infância, mas antes de começar a perder dente, ficar meio torto, com o nariz desproporcional e perder a graça, coisa que acontece inevitavelmente, ainda que isso machuque o coração e o bolso da mamãe amantíssima), digamos entre os 0 e 6 anos, acumulamos 90.000. Não é pouca coisa, não. No que pensei: com esse dinheirão todo, quando acabar essa rotina maravilhosa de passar frio e fome em gravações intermináveis, talvez a mamãe possa comprar uma infância para seu anão. Mas não estou achando aqui no Google o preço desse produto, parece que não há infâncias disponíveis no momento, talvez esteja esgotado. Vou dar uma olhadinha no ebay, quem sabe uma de segunda mão, só para fechar os números da minha planilha...

Para quem quiser ler essa maravilha de matéria (do dia 21/09... comecei a escrever esse post nessa data... olha o tamanho da preguiça), está aqui. Se não tiverem vontade, eu destaco só essa parte curiosa...

"Nunca se sabe quanto tempo vai levar a gravação de um comercial", diz Lilian. A mãe de Felipe, Rosângela, saiu furiosa de um teste que durou nove horas e a organização ofereceu só um pão com mortadela para o filho. Ela foi reclamar no conselho tutelar. "Tive um choque e comecei a repensar essa história de top mirim. Lá, ouvi o que nunca pensei ouvir. Disseram que eu, e não a empresa, poderia ser processada por maus-tratos."


Olha essa mulher! Chega.

06/08/2008

Ah... as férias...

Estou na Normandia, mais precisamente em Villers-sur-mer, uma pequena cidade balneárea onde meus sogros têm sua casa de verão. Tudo muito simpático, tenho fotos do verão passado, ainda não comecei a tirar fotos insanamente como de costume.



Eu adoro essas casinhas na praia! Você aluga, deixa lá com todas as suas coisas, pode se trocar lá dentro, levar até a farofa de deixar protegida do sol... o melhor é que ninguém rouba... e olha que seria incrivelmente fácil. Talvez tão fácil quanto inútil...

Ontem, no caminho para Villers, passamos por uma cidade visinha chamada Cabourg, o que há de interessante nesse lugar é que Marcel Proust (1871-1922) passava ali suas férias. No livro Em busca do tempo perdido, a cidade que criou e chamou Balbec representa Cabourg.

Fora essa pequena questãozinha cultural, o que me aconteceu de curioso nessas 24 horas que estou aqui é que fomos recebidos com a excelente notícia de que minha sogra já tinha planejado que faríamos uma semana de ... de... de... VIGILANTES DO PESO! Que alegria isso causa no ser humano, nossa, não consigo nem explicar... muita emoção!

Tirando o fato de almoçar um churrasco preocupado com o fato do bife (o único) pesar 100 ou 120 gramas, tudo vai muito bem, estou bem tranquila e acho que vamos achar uns passeios a cavalo essa tarde. O tempo está maravilhoso, o que não é evidente mesmo sendo verão, já que por aqui chove muito.

Volto para contar minha experiência com os 50 gramas de pão do jantar e seus equivalentes 2 pontos...

11/07/2008

Eu gostaria de indicar a matéria abaixo, pois a julguei muito interessante. É assinada pela jornalista Adriana Carranca, que também conduz um blog que acompanho chamado Pelo Mundo - desenvolvimento global e direitos humanos.

Leia:

No País, 134 mil presos poderiam estar em liberdade

06/07/2008

Apenas um boneco

A matéria que chamou minha atenção:

Boneco de Adolf Hitler é decapitado em museu de cera



A polícia de Berlim prendeu um homem de 41 anos, depois que ele arrancou a cabeça de um boneco de cera do líder nazista Adolf Hitler neste sábado, 5, pouco depois da abertura do museu Madame Tussauds.

A estátua faz parte do acervo da casa, que abriu as portas ao público pela primeira vez neste sábado, após semanas de polêmica sobre a exposição do ditador.

Hitler aparece sentado a uma mesa em seu bunker, em uma cena que, segundo o museu, retrataria suas últimas horas de vida antes de ele se suicidar. O boneco não pode ser tocado nem fotografado, segundo as regras impostas pelos responsáveis do museu.

O homem detido se aproximou por volta das 10h (horário local) do boneco de Hitler e, quando tentou tocá-lo, outro visitante foi impedi-lo, o que levou a uma briga entre os dois. Logo depois, funcionários do museu também intervieram, e um deles ficou ferido na perna.

Finalmente, o homem, que segundo a polícia mora no bairro de Kreuzberg, arrancou a cabeça do boneco de Hitler, antes de ser controlado pelo pessoal da segurança do museu. O manifestante foi processado por danos ao patrimônio alheio e lesão corporal.

A porta-voz do museu Madame Tussauds, Natalia Ruoss, disse que o incidente não tinha como ser evitado. "Havia dois guardas de segurança que não conseguiram evitar o incidente", disse Ruoss. A porta-voz não quis dizer se o boneco de Hitler voltará a integrar a exposição e apenas destacou que isso dependia do dano causado. O valor do boneco é estimado em 200 mil euros.

Vários políticos, historiadores e representantes da comunidade judaica criticaram a estátua. A polêmica é ainda maior pelo fato de o museu, no centro de Berlim, se localizar justamente nas cercanias do grande memorial ao Holocausto.

A estátua do ditador está no mesmo pavilhão que abriga figuras de políticos alemães importantes como os ex-premiês Willy Brandt e Helmut Kohl. O museu de figuras de cera Madame Tussauds já expõe figuras de Hitler em outras filiais ao redor do mundo.


Bem...

Para mim não ficou claro se tratava-se de um indignado com a exposição de tal figura ou de um visitante fascinado pela imagem de Hitler, querendo tocar o boneco a qualquer custo.

O que não entendo de verdade é esse revolta contra um simples boneco de cera. Entenderia, em parte, caso esse boneco estivesse dividindo o salão com figuras admiráveis por seus feitos humanitários, caso fosse exaltado. Mas não é o caso, o boneco não serve a esse propósito. Oras, Hitler existiu. Foi uma figura fundamental (veja, fundamental e não louvável) na história da humanidade. É impossível entender uma vírgula de história contemporânea sem passar por esse personagem. Outra verdade: nada disso diminui o horror do holocausto.

Vejam, eu trabalho, aqui, com determinadas impressões, com alguns fatos. Não é minha intenção interpretar ou me contrapor ao que sente a comunidade judaica, eu não tenho a mínima condição de discutir essa dor impressa num povo, essa "lembrança do genocídio, fundadora da israelidade", como definiu Idith Zertal, historiadora israelense. Seria demais para mim. Também não se trata de um discurso revisionista, o ponto central não é refutar a historiografia oficial, é encará-la e não desprezar nenhum de seus aspectos.

Esquecer Hitler, colocar essa figura histórica num ostracismo absoluto é inútil, na minha humilde opinião. Também parece estranho lançar mão de sua imagem para encarnar o mal absoluto, quando se faz necessário, e guardá-la novamente. "Vamos proteger a humanidade da exposição a essa imagem para evitar a proliferação determinadas idéias"... seria isso? Não sei, não entendo.

Esse homem foi um homem, frase estúpida, mas é isso mesmo. Um homem, constituído de idéias, emoções, loucuras, amores, crenças, maldades. Protagonizou um episódio cruel da história da humanidade, deve ser lembrado e devidamente criticado por isso. Deve ser exposto de todo modo, não escondido e transformado em algo metafísico, oculto, na síntese do mal... Olhemos racionalmente para essa figura, reflitamos, tiremos dessa reflexão algo de produtivo; para mim, essa é a atitude mais lógica.

O que acham disso?