30/05/2008

Taux de rebond: 90%

Essas bandeirinhas lúdicas aí ao lado, nesse globinho simpático, dão a impressão de um cosmopolitismo e de uma importância que estão longe da realidade!

Junto com o contator de visitas, há um sistema complexo de estatísticas do blog, devo dizer, desolador...

Sabe esse cara de Cabo Verde? Saiu do blog imediatamente após entrar... isso é a triste "taux de rebond" (não sei traduzir isso). Essa merda porcaria diz que 90% dos visitantes deixam o blog imediatamente... (o mesmo para o visitante do Porto, o da California, os de Salvador, São José do Rio Preto, Porto Alegre e Campina Grande)

Se eu falar do tempo médio de permanência, fica ainda mais horrível esse quadro. Poxa, eu sabia que eu era desinteressante, mas não imaginava que fosse tanto!

Isso indica que nem mesmo a minha mãe tem dedicado algum tempo aos meus devaneios...

Tenho um visitante quase diário em Lille... grande Pedro! Se bem que ele só entra para roubar as minha idéias, mas tudo bem, esse tempo que ele leva fazendo isso é importante para elevar a média do tempo de permanência... preciso de mais idéias...


Agora, quando eu ponho um elefante com as partes aparentes... aí todo mundo quer ver... "né não", dona Van? heheheh

Bom, chega!

29/05/2008

Entrou para a história... qual?

Dentre as milhares de coisas que eu não entendo, está o jornalismo esportivo.

Eu escrevo várias bobagens aqui, exagero algumas coisas, outras não têm sentido... mas ninguém me paga para isso.

Então, quando leio isso :

"Após cobrança de falta aos 14 minutos, o zagueiro Thiago Silva, de cabeça, empatou a partida e entrou para a história. Ele marcou o primeiro gol da história do Fluminense contra equipes argentinas em jogos em Buenos Aires por torneios sul-americanos".

(Vamos contar: do, contra, em e por)

Me ponho a pensar... é praticamente um Napoleão !

Vou te contar !

27/05/2008

O cúmulo

Acabo de ler um artigo que me tirou completamente do sério. Nem consigo organizar minhas idéias... mas quero reproduzi-lo aqui para que vocês fiquem indignados junto comigo. Lá vai:

Espiritismo nos tribunais

Razão jurídica não pode ser confundida com crença

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (25/5).

Sob a justificativa de tornar a Justiça "mais sensível às questões humanitárias" e discutir questões morais como aborto, eutanásia, pena de morte e pesquisas de células-tronco, um grupo de delegados de polícia, advogados, promotores, procuradores e juízes acaba de criar a Associação Jurídico-Espírita de São Paulo (AJE), com cerca de 200 filiados. Entidades semelhantes já existem no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo e a maior delas é a Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (Abrame), que reúne 700 juízes, desembargadores e até mesmo ministros de tribunais superiores.

Para essas entidades, aplicar o direito é "missão de vida" e nada impediria os juízes de embasar suas decisões em princípios religiosos. "O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita", diz o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE. "Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém", afirma Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça. "Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais", endossa o juiz Jaime Marins Filho. É preciso "questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar", conclui o juiz federal Zalmino Zimmermann, presidente da Abrame.

Entre as propostas defendidas por essas entidades está a utilização de declarações e cartas psicografadas por médiuns espíritas nos tribunais como prova material ou documental inclusive em casos de homicídio. O problema é que, além de essas medidas não terem qualquer comprovação científica, elas comprometem a certeza jurídica e a própria objetividade das decisões judiciais. Acima de tudo, essas medidas colidem com o princípio do Estado laico, que enfatiza a separação entre o poder público e a religião e o prevalecimento do rigor lógico-formal do ordenamento jurídico e o caráter científico do direito positivo sobre crenças de natureza moral e pessoal, critérios sobrenaturais, valores religiosos e as chamadas "verdades reveladas".

A discussão não é nova. Além das entidades de juízes espíritas, há muito tempo existem associações de juristas católicos que foram criadas com o objetivo de "contribuir para a presença da ética católica na ciência jurídica". Um dos integrantes dessas associações, o ministro Carlos Alberto Direito, do Supremo Tribunal Federal, envolveu-se recentemente numa acirrada polêmica com colegas de Corte e com entidades médicas, ao pedir vista da Ação Direta de Inconstitucionalidade que contesta as pesquisas com células-tronco embrionárias. Com isso, apesar da tendência da Corte de rejeitar o recurso, ele sustou o julgamento no dia 4 de março, o que levou a ministra Ellen Gracie a criticá-lo publicamente. Embora o regimento do STF fixe em 30 dias o prazo para vista, até hoje Direito não devolveu os autos ao plenário.

Em vários Estados, advogados vêm apresentando aos Tribunais do Júri declarações psicografadas como estratégia de defesa. Nesse tipo de julgamento, como é sabido, os jurados não precisam fundamentar seus votos. Os juristas espíritas alegam que a psicografia pode ser levada em consideração desde que esteja em "harmonia" com as demais provas. Como não há garantia nem de autenticidade nem de cientificidade de documentos psicografados, muitos promotores pedem a sua impugnação sumária. "Escorar uma decisão com base numa prova psicografada não tem ressonância no mundo jurídico", diz Walter Nunes, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe).

Com o objetivo de fechar brechas legais que desvirtuam julgamentos e abrem caminho para as mais absurdas decisões judiciais, a Câmara dos Deputados está discutindo um projeto que altera o Código de Processo Penal, proibindo expressamente o uso de cartas psicografadas por prova criminal. O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, não poderia ter sido apresentado em melhor hora. Além de preservar a segurança jurídica, ele é uma resposta objetiva àqueles que, sob a justificativa de "espiritualizar" o Judiciário, confundem razão jurídica com crença religiosa.

Revista Consultor Jurídico, 25 de maio de 2008



26/05/2008

Rapidinha...

A última coluna de Hélio Schwartsman, "A guerra dos manifestos", está um primor ! Melhor do que sua análise sobre a questão das cotas para negros em universidades públicas, foi a indicação de dois manifestos, a favor e contra esse sistema.

Quem me conhece sabe que eu sou absolutamente contra cotas raciais, parcialmente contra as cotas baseadas em renda e que só acredito piamente no investimento sério, "apolítico" e de longo prazo na educação pública de base.

Mas eu não teria competência para discorrer sobre esse tema, então indico, além da coluna do Schwartsman, a "Carta de Cento e Treze Cidadãos anti-racistas contra as leis raciais", documento com o qual concordei plenamente. O outro manifesto indicado é o "Manifesto em favor da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial", foi difícil terminar a leitura, porque abomino cada argumento empregado no texto, mas é sempre importante conhecer "o outro lado"...

Eu sei que ninguém vai ler, mas não tem problema. Há uma parte da primeira Carta que me seduziu particularmente, tratando da inexistência de "raças", com bastante amparo científio. Vou me informar melhor e quero escrever sobre isso posteriormente, acho um tema muito interessante.

Ainda tratando de educação, estou apaixonada por um pequeno livro que comprei na semana passada, numa promoção no centro de Paris... custou 1€50 e tem me alegrado a vida. Chama-se "de l'éducation antique à l'éducation chevaleresque", há um capítulo que quero traduzir inteiro aqui, sobre as características da educação romana, porque fala de um ideal muito interessante que se perdeu no tempo e que, na minha modesta opinião, faz alguma falta nos nossos dias... mas isso vai ficar para amanhã ou depois...

24/05/2008

Post esquecido 1

Semana passada eu comecei a escrever um post com a intenção de fazer uma síntese das coisas que tinha pensado durante a semana. Como eu não faço outra coisa além de pensar, o texto tomou proporções inviáveis, tanto em tamanho quanto em confusão...

Não é nada extremamente relevante e eu poderia descartar o rascunho como faço com tantos outros, mas quero publicar, para mudar um pouco esse ar rebelde e truculento que essa história de Marcha para Jesus me trouxe.

O texto começava com "Essa semana, li 3 coisinhas que me colocaram para pensar". Aqui, eu vou tratar da primeira coisinha. Quando eu conseguir organizar a confusão das outras duas coisinhas eu faço outro post...

A primeira coisinha...

Li no último número da Manières de voir, uma edição do Le Monde diplomatique, tratando das "Histórias de Israel".

Eu sempre fui muito ignorante com relação ao Oriente Médio de forma geral, todo o conflito árabe-judeu. Porque isso faz parte daqueles temas que nos levam a dizer "xiii... isso aí é um ninho de vespas, outra hora eu vou procurar entender melhor"... e como está lá longe (geograficamente), essa outra hora nunca chega e nós podemos nos ocupar das coisas mais "práticas".

Há pouco tempo - mais precisamente, depois que eu assumi minha condição humanista, que tem seu ponto de partida bem descrito no extrato filosófico raulseixístico abaixo - eu percebi que esse é um tema extremamente nobre, por nos obrigar a levar em conta 3 perspectivas de mundo totalmente diferentes.

É você olhar no espelho
Se sentir
um grandessíssimo idiota
Saber que é um humano
ridículo, limitado
Que só usa dez por cento

De sua cabeça animal...


Assim, estou tentando entender melhor essa questão, levando em conta 3 sistemas de mundo complexos e conflitantes: o meu (que teima em ser predominante, não sei o por quê ! rs), o judeu e o árabe. Tenho entendido algumas coisas. E, para melhorar a análise, participo de um grupo de discussão sionista e converso com um amigo árabe bastante instruído e que não esconde sua ojeriza pelo Estado de Israel, que para ele é uma grande aberração.

Eu não tenho que me posicionar, porque meu exercício é outro...

Mas, retomando, a primeira coisa que me colocou para pensar veio dessa nova reflexão, mas não se limita a ela, foi uma frase de um historiador britânico-israelense, Avi Shlaïm.

Vou fazer uma tradução bem livre e pessoal:

"Não está totalmente excluída a possibilidade dos israelenses tirarem, um dia, lições de seus erros e elegerem dirigentes conscientes de que a coexistência de dois Estados constitui a única solução verdadeira. As nações, como os indivíduos, são capazes de agir racionalmente - depois de esgotadas todas as outras soluções".


Me limito a dizer que me fez pensar, o que me fez pensar seria muito mais longo e desordenado, então eu vou voltando a isso em outras postagens (somente se eu tiver vontade)...

22/05/2008

Dúvida...


Por que é que Marcha para Jesus pode e Marcha da Maconha não pode ?

Entorpecente é entorpecente !

18/05/2008

Que susto !

Essa imagem estava em destaque no site do jornal Le Figaro. O tom da legenda era de "ó, que sustinho... a mocinha leva a mão à boca e o rapaz não crê em seus olhos... O casal, apaixonado por viagens, aventuras e pela fauna africana, nunca imaginaria ver um macho tão grande de tão perto..."



Depois de apreciar com cuidado, a única coisa que eu tenho a acrescentar é... e põe macho nisso !

09/05/2008

Sempre leio o blog do Daniel Piza, jornalista muito interessante, sem dúvida. Quando trata de cultura é maravilhoso, mas quando fala de futebol é uma desgraça. Ele não gosta do meu Tricolor, isso é fato. Não diz claramente, acabou de responder ao comentário de um torcedor que reparava nisso que ele não comenta futebol como torcedor, que tem um olhar profissional... não acho não...

O título de sua última postagem é "Sem convencer" (sobre a vitória "pobre" do SPFC na Libertadores) ...

O melhor comentário de um sãopaulino:

"O São Paulo anunciou nesta quinta feira que está a procura de um jogador com formação em retórica dialética persuasiva.
Juvenal Juvêncio e Marco Aurélio Cunha afirmaram que tomaram esta medida drástica porque está muito difícil convencer alguns blogueiros.
Agora todo gol deverá vir acompanhado dos respectivos argumentos."
Heheheheh... gostei...

04/05/2008

Penso...

Essa noite tive uma insônia terrível, depois de dias de bom sono e cuidado com os horários. Paciência, ser "normal" é uma construção e eu chego lá...

Três coisas tomaram meu tempo nessa madrugada insone, dois filmes e uma idéia, uma indagação, para melhor dizer.

O primeiro filme foi uma experiência estranha. Chama-se Teeth, não encontrei título em português, nem data de lançamento no Brasil. Ontem, meu marido rui, me chamou para ler uma sinopse e decidir se eu queria ou não ver o filme, eis o que li:

"Dawn (Jess Weixler) é uma estudante de colegial que está em crise com a sua sexualidade. Membro de um grupo que defende a castidade, sofre o peso do mundo - a pressão dos pais, dos amigos, dos garotos, da sociedade. Para piorar, Dawn descobre que tem uma dentição na vagina."

Olhadinha no trailer...



Nos minutos finais do filme, meu marido dizia qualquer coisa parecida com "não é a coisa mais estranha que eu já vi..." câmera baixa, moça em pé, pernas afastadas, sua vagina expulsa, ou cospe, o pênis amputado, que cai no chão para ser mastigado por um cão. Ele mudou de idéia. Conto a cena sem problemas pois sei que ninguém vai ver isso mesmo. Isso faz parte daquele grupo de coisas que só este casal aqui faz... hehehhe

Segundo filme. Antes de colocar pergunto o que era, que tipo de filme... marido meio morto de sono não se lembra, diz, acho que é uma comédia romântica boba. Eu penso que é o ideal para colocar e cair no sono. Primeira cena: a esposa dedicada arruma uma bela mesa, prepara um lindo bolo sobre o qual lê-se "feliz aniversário de casamento", sobe as escadas e, no banheiro, dá um tiro na cabeça, caindo mortinha na banheira vazia.

Não sei se deveria ter medo do meu marido por classificar isso como comédia, pior ainda, como romântico... ou se prefiro pensar que ele se enganou mesmo...

Mas, sem brincadeiras, o filme é bom. Chama-se Lonely Hearts (2006) - Os Fugitivos, no Brasil. Baseado na história real (final da década de 40), de um casal completamente xarope que aplica golpes em mulheres solitárias. Eles vão se descontrolando e passam a cometer assassinatos bastante chocantes e no final são "fritos" na cadeira elétrica. Estou contando isso porque logo na segunda sequência já sabemos que serão executados, não estou estragando. O ponto alto do filme não é saber se serão ou não pegos...

Durante uns 60 minutos, conforme a violência do casal aumentava, aumentava também a minha e eu me via ansiosa para a cena da execução, já anunciada no comecinho do filme, chegar. Tinha aqueles sentimentos limitados do raivoso, do vingativo, dos que não exercitam vários olhares. Enfim, eles morreram, e não foi bom. No final do filme eu estava envergonhada da minha brutalidade e colocando em questão esse nosso peculiar senso de justiça. (O hélio Schwartsman tratou disso na coluna dessa semana, discordei demais, mas concordo com a necessidade de investigar mais de perto esse conceito)

Por último, há a minha indagação, oriunda da notícia da proibição da marcha da maconha em alguns estados, acho que é assim que se chama esse "movimento". Não pensei exatamente na maconha, nem na necessidade (ou não) de discussão da legislação relativa a droga. Não pensei nisso porque, a princípio, não há nenhum sentido em andar por aí "pela maconha".




Mas a questão que me surgiu é se um cidadão é, de fato, livre para se manifestar e reivindicar. Se a resposta for que ele o é desde que esteja de acordo com uma série de princípios básicos da nossa sociedade, respeitando a lei e etc... a pergunta é que princípios são esses e onde eles são determinados? Um cidadão pode questionar uma lei, pacificamente, se valendo de idéias? Qual seria a diferença entre uma marcha com intuito de gerar uma discussão sobre a carga tributária ou, para continuar no quadro dos tabus, sobre a necessidade de legalização do aborto e essa que foi proibida?

Fico pensando nas liberdades, nas instituições, não consigo ver como natural esse distanciamento e essa nossa idéia de agentes disciplinadores externos a nós mesmos...

Assim não há quem durma...

26/04/2008

Não é possível...

Ou eu sou muito besta, ou o cara que escreveu essa manchete destacada na primeira página do estadao on line é um completo sem noção...


Pingüim careca ganha roupa para poder mergulhar


Vou te contar!

Fora isso, a matéria é interessante, podem ler aqui.

Hehehehe... e o "mergulhador" chama Pierre... olha a simpatia...



25/04/2008

Temos em comum...

Depois de um desabafo contra a xenofobia que me rendeu até uma infame acusação de traidora da pátria, resolvi mostrar o outro lado. Há uma piadinha muito interessante por aqui...

Dois franceses no bar:
- Todo mundo sabe que no Brasil só tem jogador de futebol e puta !
- Ah... minha esposa é brasileira...
- E... em que time ela joga?!

Bom, percebemos duas coisas: uma baita ignorância e que as piadas não são o forte dos franceses.

Depois de dar um coice pra lá e outro pra cá, resolvi buscar o que teríamos em comum. Achei um exemplo fantástico. Durante anos, sem saber, compartilhamos um artista... M. Charles Aznavour, nos intervalos de lançamento de seus discos era comediante no Brasil, adotando o pseudônimo de Didi Mocó (vocês nunca repararam que a tônica está na última sílaba nas duas palavras? Se não fosse ele, seria Dídi Móco, certamente... péssimo, eu sei)

Esses dois vídeos provam minha teoria...








Usei para fazer uma piadinha ruim, mas realmente adoro essas duas músicas. Há quem diga que é exagerada essa coisa teatral, mas eu gosto, de verdade. Gosto dos olhos fixos enquanto canta. Gosto da forma forte de pronunciar cada frase... como naquela magnífica interpretação de Teresinha...


Esse é para a minha mãe...

23/04/2008

Xenofobia não tem origem

É comum, no Brasil, ouvir discussões sobre a xenofobia européia, essa triste característica desse povo antigo, conservador, inflexível...

É recorrente também ouvir que nós, brasileiros, somos um tipo de contraponto disso tudo. Nossa formação, a mistura, matrizes africana, indígena e portuguesa e depois imigrantes de origens diversas formando esse povo flexível, aberto, que não só sabe aceitar a diferença como também incorporá-la.

Há os que vão mais além, incluindo no discurso o clima, ah... os trópicos... o calor, os corpos à mostra sem preconceito, a liberdade. Longe, bem longe do frio que torna os humores mais secos, os corpos mais escondido, as moralismos mais agudos...

Vai no meu oco... (opa! quase erótico, não vou mudar porque minhas duas leitoras não são maliciosas e não farão piada, além disso, eu não tenho nenhuma vergonha do que vai no meu oco !)
Deixo claro, que trato aqui do senso comum, não quero fazer referências a nenhuma corrente de pensamento, não quero exaltar o polêmico Gilberto Freire ou Darcy Ribeiro, muito menos os revisionistas da década de 80... isso para ficar no pensamento mais básico e referenciado. Porém reconheço o peso desses autores, entre vários outros, no processo, não menos polêmico de "formação" desse senso comum. Vou parar... esse é o meu cantinho do achismo... para não perder a linha, é o meu Tudo o que penso sobre tudo...

Voltando ao normal...
Não seria mal, de fato, se isso fosse verdade. Se nós estivéssemos realmente livres desse sentimento esdrúxulo que é a xenofobia, desse medo e raiva imediata do que ignoramos, do outro, que não é diferente, é pior. E se, ao contrário daqueles que criticamos, soubéssemos reconhecer a diversidade de um outro povo não incorrendo no que é esteriótipo barato, como fazem "eles" (pequeno termo que está menos distante do nós do que queremos ou ousamos pensar).

Há muito, escrevi que gostaria de reproduzir aqui algumas loucuras que leio nos blogs da vida, até criei o tema Ablogsurdos que nunca mais ganhou um post. Ganhará agora, porque quero dividir aqui o que motivou esse meu pensamento.

Fatos (sem fotos)

Vai no meu oco... nossa, estou com um humor extremamente imbecil hoje, mas não vou me controlar... nem tomar aquele tarja preta que me indicaram... isso é uma sequela do tempo em que era escrava de um arquivo de música brasileira e higienizava e catalogava publicações antigas sobre o tema... em alguma delas, não me lembro qual, porque o trabalho era manual, automático, ia esvaziando a mente lentamente (não sei pra que colocar um pobre universitário que quer mudar o mundo estudando História para fazer trabalho de limpeza, deve ser justamente para limpar seu cérebro, mas chega!), havia esse título, Fatos & Fotos (é fácil encontrar na internet, mas não vou parar para fazer isso e perder esse fluxo louco que se vos apresenta!).

Voltando ao normal...
Ainda com os fatos. Há um blog disfarçadamente de esquerda, tentando parecer humanista, cabe dizer, dedicado a cinema e cultura, hospedado no portal de um grande jornal (áudio: música de suspense, vai ficando mais alta e mais intensa...). A média de comentários é tão significativa quanto a minha. Mas há sempre os assuntos-chave. Em momento de desespero, nós podemos falar de aborto, religião, pena de morte e, mais recentemente, de Tropa de Elite, já que seria muito evidente que um blogueiro de cinema saísse procurando nos arquivos todos os "abortos do cinema afegão", ou coisa que o valha.

A questão: o diretor da revista francesa, Cahiers du Cinéma, fazendo um balanço do Festival de Berlim, no qual, todos mais do que sabem, o filme brasileiro foi premiado, qualificou a obra de imunda. Essa é a opinião do crítico, o filme é imundo e a premiação foi vergonhosa. Ele preferia o filme do mexicano Fernando Eimbcke. Ponto.

Resultado: rapidamente, havia mais de 150 comentários que podemos adjetivar raivosos. Tanto os que quase propunham a decapitação do francês fedido quanto os que concordavam com o crítico e quase propunham a decapitação de Padilha e dos fascistas e ignorantes que gostaram do filme. Uns 5 comentários que tentavam esclarecer que se tratava apenas de um filme e apenas de um ponto de vista de um profissional, não de um francês fedido ou não. Pobres! Eles ainda tentam...

Toda a questão é "que esse francês cretino acha O BRASIL imundo e vergonhoso ! Como esse xenófobo francês fedido, reacionário e maldito pode pensar essas coisas de um povo tão bom como o nosso? Todo mundo sabe exatamente como é a Europa, com esse seu povinho preconceituoso !"

Não houve, praticamente, argumentos sobre o filme, tecnicamente, seja lá o que for... todos criticavam os franceses, lembrando que eles não tomam banho, só prestam para fazer queijo e vinho, são bêbados... essas são algumas pérolas.

Mas, melhor, os que são "mais intelectualizados" que tinham vontade de escrever coisas piores que fedidos e bêbados, mas não podem suportar essa imagem... vou copiar alguns comentários aqui, dos alucinados assumidos e dos disfarçados também:

"Talvez "Imundo" na frança seja um elogio, ja que eles não tomam banho la e nem escovam os dentes"

"imundo quem e esse panaca pra falar isso o tropa de elite foi uns dos melhores filmes q eu ja assisti na minha vida melhores ate q esse filmes internacionais esse fdp nao e ninguem pra falar do filme....So pq ele naum consegue fazer um igual por isso...."

"O que acontece com este "renomado" senhor é o que acontece com a maioria das pessoas que perdem: Despeito."

"Crítico decadente para aparecer tem que falar mal de quem faz sucesso (...) E Viva o povo brasileiro!!!"

"a UE E EUA cadaz se fecham pra si mesmos, retratando apenas o proprio umbigo. Tempos mais negros virao..."

"Nunca vi um filme francês bom, será que existe algum? Bom, se tiver chovendo de insônia, indico os filmes franceses...Agora , em tropa de Elite não me deu sono, por que será heim? Ah e banho de vez em quando é bom , viu, diretor francês."

"E Axterix, induzindo ao uso da droga, não é imundo? Mas cuidado, ao retrucar, eles costumam cabeçear os que contrariam..."

"Imunda é uma Europa cada vez mais fascista e preconceituosa, que descobre, surpresa e incomodada, que há vida inteligente abaixo do Equador. Semearam miséria e exploração por todo lado durante séculos, e hoje se acham no direito de ditar regras. Em arte, inclusive.
O Cahier du Cinéma é hoje totalmente irrelavante, e o Sr. Frodon ainda não se deu conta disso.
Pior pra ele!"

"São os "novos ventos" que sopram na Europa . Primeiro foi a Espanha barrando brasileiros, agora foi a França criticando um filme brasileiro. Ou vice-versa. O fato é que a França já foi um país respeitável."

"Imundo......acho que mais imundo foram os nazistas dando ordem dentro de Paris....será que não aprenderam nada sobre preconseito.....afinal eram considerados raça inferior de 3°, agora porque são Europeus acham que são melhores............A história ainda não acabou...."

"Se viesse esse comentário de alguém da África até aceitaria,mas da europa, faça-me o favor, eles são tão ou mais "imundos" do que nós, a indústria do trafico e pedofilia é sustentada pelo 1º mundo.Por acaso eles acham que só aqui é que tem corrupção,violência e prostituição?."

Olha que coisa... primeiro dizem que eles não tomam banho, depois que o crítico está com despeito, que ele é mau perdedor, eu só não consigo entender o que foi que ele perdeu... Continuamos com alguém que diz que foi a própria França que criticou o filme ! Depois da Espanha expulsar brasileiros, agora essa França faz isso, inaceitável... Há inclusive dois profetas, o dos tempos negros que virão e o outro que, contrariando Fukuyama, diz que a história não acabou (uuuaaaaa... em tom ameaçador...). Pode-se também desqualificar completamente o cinema francês... só presta para as crises de insônia...

Em suma, é loucura demais para mim.

É mais ou menos a mesma mentalidade que faz um bestalóide ter que afirmar que Camus é ruim para Machado "poder ser" bom (sendo que não há a mínima necessidade, visto que Machado é enorme !)... ou que determinou que a seleção de futebol tem que vencer 100% das partidas que disputa, e mais um milhão de insanidades parecidas... Cansei, enfim.

19/04/2008

Luzes x holofotes

Tenho acompanhado, pelo jornais on line, o caso da criança assassinada na zona norte de São Paulo. Como quase todo mundo, não me contenho e clico na chamadas que oferecem novidades. Quando leio, não há novidade nenhuma, o mesmo horror, a mesma matéria acrescentada de uma ou duas linhas novas, quase sempre dispensáveis. Sei da enorme probabilidade de repetição, mas volto a clicar. Deve haver infinitas explicações para esse fato, não tentarei encontrá-las. Penso que, ao menos, estou livre da TV...

Não quero repetir aqui o sensacionalismo, além de não ter leitores, elemento indispensável a essa prática, não teria esse "talento" jornalístico. Mas duas coisas me chamaram atenção, ontem. Duas colunas da folha on line, de Helio Schwartsman e de Gilberto Dimenstein.

Ao ler a primeira, pensei que adoraria ler esse texto em outra circunstância. O interesse dessa discussão independe da morte "de fato" dessa criança. Já tinha lido Philippe Ariès quando cursei um semestre de História da Cultura II. Como bem colocou Schwartsman, foi um autor criticado, mas sua contribuição é indiscutível. Adorei passar um semestre tentando "entender tempos diferentes" à partir de três pontos, o estatuto da mulher, o da criança e o casamento. Perceber a evolução desses elementos no tempo é simplesmente lindo.

Sempre fico satisfeita ao ler matérias de vulgarização (se posso classificar assim) bem feitas. Uma pena que o fato gerador seja tão triste.

Gosto de Dimenstein, mas não gostei da matéria destacada no link. Não gostei porque acho que ele se engana terrivelmente ao falar de uma "extraordinária herança" deixada por essa morte, o fato de ampliar, como nunca, o debate sobre a violência doméstica contra crianças, problema, até então, sem grande repercussão. Ele coloca que essa "morte trouxe luz a esse problema".

Eu pondero: luz e holofote não são a mesma coisa e não geram os mesmos resultados. Infelizmente, não vejo nada além do segundo item na abordagem desse caso. Depois dos holofotes apagados não sobrará muita coisa, crianças ainda sofrerão maus tratos diariamente e apenas quem se preocupará com isso são os mesmos que se preocupavam antes dessa criança ser assassinada.

Se há uma herança nesse caso, ela só pode ser extraordinariamente triste. Trata-se de arquivos e mais arquivos que provarão no curso da história a boçalidade dos nossos tempos. E não me refiro ao fato de "matarmos crianças" mas ao fato de "matarmos mentalidades".

17/04/2008

Sobre guinus, vacas, porcos e preconceito


Estava na minha cama, dando uma olhadinha na TV. Ainda é manhã aqui e umas 3 emissoras exibem documentários, esses franceses são loucos por esse gênero. O número de ducumentários exibidos por dia, mesmo nos canais abertos, é impressionante. Uma obsessão, eu diria.

E não são apenas aquelas chatices naturais, com narrações que atribuem sentimentos humanos aos animais... "o guinu macho cobiça a fêmea enquanto esta se move faceiramente".

Não, são as criancinhas da África, o samba no Rio, a vodka na Rússia, todo estereótipo possível, mais história, descobertas científicas... não tem fim.

Escrevi tudo isso para dizer que via, há pouco, um documentário sobre a vaca, na Índia, claro. Lembrei de quando comi num restaurante indiano pertinho daqui, lugar muito simpático, comida forte que deixa muitas lembranças e pouca saudade.

Não me ocorreu em nenhum momento que o hábito alimentar indiano pudesse ser diferente por conta de crenças enquanto olhava o menu. Estava pronta para até para pedir uma carninha de vaca... rs

É interessante como, no Brasil, nós não pensamos constantemente nessas diferenças. Essa falta de convivência com crenças diversas me fez entrar num açougue, também vizinho, muçulmano, e pedir um pernil... hauahuahuahuahauhauhauah Que vergonha, o atendente quase me mordeu. Que tipo de louco não sabe que eles não comem porco? Parecia uma afronta.

Mas a questão não é não ter a informação, não é exatamente ignorância, mas uma total falta de atenção, no meu dia-a-dia um muçulmano não comer porco não existe. Ou não existia, passou a existir.

Nunca tive contato com pessoas que não comiam isso ou aquilo, que não fosse por gosto. Agora fico olhando para isso admiradíssima, tenho que confessar que não entendo, não aceito, acho loucura, minha primeira reação é classificar de ignorante, enganado... mas depois penso melhor e aceito, me adapto. Conheço um homem muito inteligente, ele não come porco, conhece a explicação religiosa do fato e a histórica também. Conversa sobre qualquer assunto com grande desenvoltura, é dono de uma sensibilidade invejável, adora e promove cultura. Só que não come porco.

Eu deveria entender isso, simples assim, ele não come porco... como se ele não gostasse de feijão ou de jiló, si lá... mas no fundo não consigo e estou brigando com essa questão... COMO ELE NAO COME PORCO? PORQUE ELE FAZ UMA COISA DESSAS? PORQUE ELE ACEITA PASSIVAMENTE SER PRIVADO DAS DELICIAS DO PORCO? BISTECA, FEIJAO GORDO, TORRESMO, COSTELINHA, PERNIL... eu não aguento mais isso, não tenho pensado em outra coisa.

Mas vou parar e vou voltar ao meu estado conformado. Achando tudo natural, porque para viver aqui isso é extremamente necessário. Além de necessário é muito enriquecedor, sem dúvida. Outro dia eu conversava com o mesmo cidadão do porco, falávamos de reação de um povo à dominação, discordávamos grandiosamente e eu percebi que não era o diálogo de duas pessoas, mas o diálogo de duas civilizações... entendi muitas coisas sobre como as boçalidades se manifestam no mundo, mas eu quero escrever só sobre isso depois.

Ah... ia acabando e pensei que talvez o falta de carne de porco no organismo leve alguns povos a um estado de "nevrosia" desmedido... mas precisa de muita pesquisa para confirmar essa hipótese...

Folclore

Política virou uma coisa engraçada e isso não tem a menor graça...

Foi muito triste ler, no estadao.com, a matéria Partidos lançam famosos e atletas para ''puxar votos''.

Não tenho mais comentários...

04/04/2008

La Bretagne...

Essa semana fui ao passeio, visitei o oeste da Fança, a região chamada Bretanha. Fiquei em uma cidade extremamente simpática, Lorient. Os habitantes da região têm essa fama: "os bretões são simpáticos", é o que se diz pela França. Eu não tenho nada a acrescentar. São incivelmente simpáticos e tranquilos, de fato. Dois dias calmos, muita caminhada, vendo muitas coisas bonitas e sendo muito bem tratada a cada contato.



Esse é o Port de Plaisance, para particulares. Bastante interessante. Andei demais por aqui, o dia estava bonito, temperatura amena e pouco sol.

Aqui eu vi uma coisa completamente inédita para mim, que não tenho muito contato com as "coisas do mar". Vi como eles tiram um veleiro do mar. Fiquei muito impressionada e enquanto as pessoas trabalhavam (porque não é uma operação muito simples), em plena quarta-feira nada turística, eu tirava um milhão de fotos do que eles faziam. Eu era uma atração para tão interessante quanto eles para mim. Mas não tive vergonha e mandei bala na fotografia. Escolhi as duas fotos para mostrar aqui...

Nesse primeiro dia eu ainda vi um antigo farol, coisa que também nunca tinha visto. Esse foi construído em 1744.
Sobre a arquitetura da cidade eu não tenho muito para contar. Geralmente, as cidades francesas têm belos centros históricos, muitos prédios em pedra, muitas catedrais, por aí vai... Lorient foi completamente destruída durante a segunda guerra. Não sobrou nadinha de nada. Então toda a arquitetura é da década de 50... o que para mim é uma coisa muita triste e feia, é uma cidade de caixotes... mas eu sou ignorante nesse assunto, é apenas uma impressão. Contudo, não gostei mesmo. Nã encontrei nenhum charme na cidade fora dos portos e cais.

Depois de andar muitas horas vendo essas coisas que mostrei, a grandeza natural da paisagem... e também outras coisas mais simples, reparando na vida da cidade, nas pessoas, eu não tinha mais pernas e voltei para o hotel, para me preparar para um jantar com o grupo do congresso do qual o Sylvain participava. Restaurante elegante, comida elaborada (para mim quase "incomível") mas que nos deixa com fome logo após o jantar... Infelizmente não tenho foto da entrada com gosto de pêssego com queijo de cabra... muito chic, que eu tive que empurrar para a garganta sorrindo...

Para terminar, eu vou deixar algumas imagens da vista do Port de Plaisance...

30/03/2008

Um comentarinhozinho...

Uma emissão da TV Senado francesa convidou três especialistas em América Latina. Um jornalista político, o chefe da redação do Le Monde Diplomatique e um pesquisador da mais importante escola de ciências políticas da França. Esse último coordena um observatório sobre a AL. Foram seus comentários que motivaram essa postagem.

Entre os temas discutidos: energia, as diferentes modalidades de esquerda, disputa velada entre Chaves e Lula pela influência na região, relação da AL com os EUA...

Em suas considerações finais, relacionadas a qual dos países apresenta maior vocação para influenciar a região, o pesquisador disse que o Brasil tem um peso indiscutível na AL, mas ponderou, afirmando que a sociedade brasileira está longe de ser um modelo, principalmente por apresentar uma enorme desigualdade social e ser racista. E ponto.

Desigualdade e racismo são, eu suponho, os dois principais aspectos da sociedade brasileira na visão desse senhor. Isso significa, na visão do observatório que ele dirige. Significa ainda, na visão acadêmica francesa.

Ainda que ele estivesse na TV e que disso resulte uma necessidade de síntese extrema, se ele destacou essas duas características apenas, não deve ter sido por causa de um "branco" que fez com que não se lembrasse no momento de outros aspectos relevantes, mas porque para ele trata-se, de fato, de um binômio emblemático.

Eu achei suas considerações pobres. Não acho que desigual e racista seja a melhor definição de Brasil... mas esse não é o centro da questão.

A questão é a constante simplificação do Brasil (e da AL de maneira geral) ou das questões brasileiras na imaginário francês e na "produção intelectual" francesa.

Já não me assusta ouvir absurdos que demonstram a completa ignorância do "cidadão francês médio", seja na rua, no café, no bar ou entre alunos da universidade. Mas ainda me assusta a visão pouco aprofundada e permeada por preconceitos e preguiça intelectual de "formadores de opinião", estudiosos, etc.

Bom, não era assim que eu queria colocar essa questão, mas fiquei com preguiça no meio do texto... depois eu falo para a mamãe o que foi que eu pensei exatamente sobre isso... chega por agora...

28/03/2008

Quanta sacanagem

Hoje, enquanto fazia minhas andanças internéticas, encontrei duas coisas assustadoras:

Primeira: o Créu ! Podem rir e dizer que estou por fora, mas não conhecia isso mesmo. E agora que conheço estou um pouco sem rumo. Acho até que eu preferia a Lacraia... rs. Achei que esses absurdos já estavam cansando até os mais babacas, mas parece que não. Pensando bem, vou ficar mais um ano desatualizada para evitar esse tipo de coisa.

Segunda: coluna Consultório Sentimental da veja.com. Me deixou bem atordoada e acho que eu pefiro o Créu que, ao menos, é direto... "olha, você está comprando um lixo". Esse mundo é uma sacanagem...

bjs

25/03/2008

Outras diversões de inverno

Inverno não combina muito com rua por aqui. Durante esse período, além de ver muitos filmes, desenvolvi outros hábitos de entretenimento. Um deles me atrai mais que os outros. Trata-se de ler comentários de leitores em jornais on line e blogs desses mesmos veículos. Principalmente no estadao.com...

São verdadeiros festivais da loucura!

É impressionante o número de perturbados gastando horas e horas da vida em discussões pouco produtivas. Uns ensaiam um eruditismo fora de propósito, outros denunciam o "Império americano" e a "corja sionista" mesmo quando a postagem trata de animais abandonados (para ficar apenas nesse exemplo absurdo), outros atacam o blogueiro constantemente, "esse segue tal agenda", "aquele é vendido", "o editor é judeu, então o jornal não tem credibilidade".

Há, ainda, os loucos raivosos "anti-petralhas"... uma em especial me choca quando entra numa discussão sobre uma "nova onda de xenofobia nos EUA" e escreve simplesmente "esquerda é merda", como se isso dissesse, assim, isoladamente, qualquer coisa. Uma virulência inacreditável.

Cada blog tem seus habitués, eles formam grupos interessantes, podem trocar mais de 1000 mensagens em algumas horas. Eu as leio (devo ser ainda mais perturbada) e não posso destacar nem 1% de comentários pertinentes, interessantes. Eles me servem apenas para saber o tipo de gente que eu não quero ser, o tipo de bobagem que não quero afirmar e o tipo de intolerância perigosa e infundada da qual eu quero distância. Ainda assim, leio. Por que?


Não sei ao certo. Mas acredito que isso seja, de algum modo, representativo. Essas pessoas têm, em geral, um nível de instrução elevado, mesmo que na âge de la baudetisation (termo criado por mim, em francês para parecer mais intelectual, que traduzido resulta simplesmente em era da jumentização) isso não represente grande coisa. Buscam informação, falam outros idiomas, muitos vivem em outros países, têm uma cultura geral razoável (sabem colocar o Oriente Médio no mapa). Fazem parte daquele grupinho chamado "(de)formador de opinião".

Acho que esse microcosmo pode fornecer informações precisosas sobre as "mentalidades", acho que se o extrapolarmos, teremos um retrato em parte fiel desse grupo social, suas divisões internas, suas crenças, seu modo de tratar a informação que recebe em profusão... mas, no que me interessa mais específicamente, sua raiva e sua cegueira.

Todas as questões do homem na pós-modernidade, ou na minha âge de la baudetisation, estão exacerbadas nesses espaços virtuais... ACHO eu, repito.


O que farei é simples, vou começar a reproduzir aqui algumas pérolas encontradas nessas páginas. Vou fazer um inventário bem humorado disso, para me divertir um pouco e para discutir com a minha mãe, principalmente, esses comportamentos peculiares e, quem sabe, aprender algumas coisa. Nenhum exercício de observação da realidade é inútil (Claro que pode-se argumentar que esse não é necessariamente um exercício de observação da realidade, por n razões que envolvem as características da internet, etc... mas para mim é bastante real e interessante, mesmo assim).

22/03/2008

Doente em casa... filmes e choradeira besta.

É uma grande porcaria ficar doente. Pior ainda quando ficamos doentes e temos crises existenciais ao mesmo tempo. Essa junção pode causar coisas realmente estranhas...

Assisti dois filmes muito dos sem-vergonhas, feitos para causar uma pequena emoção quando exibidos na sessão da tarde, mas que me fizeram cair num choro louco, mal conseguia respirar.... o nariz escorrendo, horrível, eu quase me matei entre lágrimas, lenços, melecas... uma loucura !

Então vou deixar registrado aqui para que vocês evitem juntar esses filmes, gripe tenebrosa e crise existencial...

August Rush (2007)

O som do Coração lançado, no Brasil, em fevereiro de 2008. Dirigido por Kirsten Sheridan. Veja o trailer:



Esse filme se parece com um sem número de outros filme, faz uma mistureira de fórmulas que "funcionam". Tem menino órfão, prodígio musical, menina rica com futuro brilhante afastada de músico pobre pelo pai mau, mentira a dar com pau, o Robin Williams (que dá um ar de "filme sensível", mas que na verdade não filmou nada decente nos últimos anos)... muito elementos. Mas é filme safado... não se deixem enganar e, sobretudo, escolham um momento em que todas as suas faculdades mentais estejam em ordem...

The Water Horse: Legend of the Deep (2007)

Que ganhou o título Meu Monstro de Estimação e também foi lançado em fevereiro de 2008, pelo que li aqui. Dirigido por Jay Russell. O trailer:



Esse também vem com todos os elementos, mas ainda tem monstro e Segunda Guerra! Ironicamente, é pior que o primeiro na forçada de barra, mas me fez chorar duas vezes mais. O menino fechado e solitário e o monstro do Lago Ness... que tem cara de dragão, mas não é, é "Cavalo das águas". Porque todos os monstros de Hollywood têm a mesma cara? E porque eu tó dizendo que eles têm cara de dragão, se nunca vi um dragão? Olha como me condicionaram... ô tristeza! Então: porque todos os monstros de Hollywood tem cara de dragão de Hollywood? Ah, deixa pra lá !