19/04/2008

Luzes x holofotes

Tenho acompanhado, pelo jornais on line, o caso da criança assassinada na zona norte de São Paulo. Como quase todo mundo, não me contenho e clico na chamadas que oferecem novidades. Quando leio, não há novidade nenhuma, o mesmo horror, a mesma matéria acrescentada de uma ou duas linhas novas, quase sempre dispensáveis. Sei da enorme probabilidade de repetição, mas volto a clicar. Deve haver infinitas explicações para esse fato, não tentarei encontrá-las. Penso que, ao menos, estou livre da TV...

Não quero repetir aqui o sensacionalismo, além de não ter leitores, elemento indispensável a essa prática, não teria esse "talento" jornalístico. Mas duas coisas me chamaram atenção, ontem. Duas colunas da folha on line, de Helio Schwartsman e de Gilberto Dimenstein.

Ao ler a primeira, pensei que adoraria ler esse texto em outra circunstância. O interesse dessa discussão independe da morte "de fato" dessa criança. Já tinha lido Philippe Ariès quando cursei um semestre de História da Cultura II. Como bem colocou Schwartsman, foi um autor criticado, mas sua contribuição é indiscutível. Adorei passar um semestre tentando "entender tempos diferentes" à partir de três pontos, o estatuto da mulher, o da criança e o casamento. Perceber a evolução desses elementos no tempo é simplesmente lindo.

Sempre fico satisfeita ao ler matérias de vulgarização (se posso classificar assim) bem feitas. Uma pena que o fato gerador seja tão triste.

Gosto de Dimenstein, mas não gostei da matéria destacada no link. Não gostei porque acho que ele se engana terrivelmente ao falar de uma "extraordinária herança" deixada por essa morte, o fato de ampliar, como nunca, o debate sobre a violência doméstica contra crianças, problema, até então, sem grande repercussão. Ele coloca que essa "morte trouxe luz a esse problema".

Eu pondero: luz e holofote não são a mesma coisa e não geram os mesmos resultados. Infelizmente, não vejo nada além do segundo item na abordagem desse caso. Depois dos holofotes apagados não sobrará muita coisa, crianças ainda sofrerão maus tratos diariamente e apenas quem se preocupará com isso são os mesmos que se preocupavam antes dessa criança ser assassinada.

Se há uma herança nesse caso, ela só pode ser extraordinariamente triste. Trata-se de arquivos e mais arquivos que provarão no curso da história a boçalidade dos nossos tempos. E não me refiro ao fato de "matarmos crianças" mas ao fato de "matarmos mentalidades".

17/04/2008

Sobre guinus, vacas, porcos e preconceito


Estava na minha cama, dando uma olhadinha na TV. Ainda é manhã aqui e umas 3 emissoras exibem documentários, esses franceses são loucos por esse gênero. O número de ducumentários exibidos por dia, mesmo nos canais abertos, é impressionante. Uma obsessão, eu diria.

E não são apenas aquelas chatices naturais, com narrações que atribuem sentimentos humanos aos animais... "o guinu macho cobiça a fêmea enquanto esta se move faceiramente".

Não, são as criancinhas da África, o samba no Rio, a vodka na Rússia, todo estereótipo possível, mais história, descobertas científicas... não tem fim.

Escrevi tudo isso para dizer que via, há pouco, um documentário sobre a vaca, na Índia, claro. Lembrei de quando comi num restaurante indiano pertinho daqui, lugar muito simpático, comida forte que deixa muitas lembranças e pouca saudade.

Não me ocorreu em nenhum momento que o hábito alimentar indiano pudesse ser diferente por conta de crenças enquanto olhava o menu. Estava pronta para até para pedir uma carninha de vaca... rs

É interessante como, no Brasil, nós não pensamos constantemente nessas diferenças. Essa falta de convivência com crenças diversas me fez entrar num açougue, também vizinho, muçulmano, e pedir um pernil... hauahuahuahuahauhauhauah Que vergonha, o atendente quase me mordeu. Que tipo de louco não sabe que eles não comem porco? Parecia uma afronta.

Mas a questão não é não ter a informação, não é exatamente ignorância, mas uma total falta de atenção, no meu dia-a-dia um muçulmano não comer porco não existe. Ou não existia, passou a existir.

Nunca tive contato com pessoas que não comiam isso ou aquilo, que não fosse por gosto. Agora fico olhando para isso admiradíssima, tenho que confessar que não entendo, não aceito, acho loucura, minha primeira reação é classificar de ignorante, enganado... mas depois penso melhor e aceito, me adapto. Conheço um homem muito inteligente, ele não come porco, conhece a explicação religiosa do fato e a histórica também. Conversa sobre qualquer assunto com grande desenvoltura, é dono de uma sensibilidade invejável, adora e promove cultura. Só que não come porco.

Eu deveria entender isso, simples assim, ele não come porco... como se ele não gostasse de feijão ou de jiló, si lá... mas no fundo não consigo e estou brigando com essa questão... COMO ELE NAO COME PORCO? PORQUE ELE FAZ UMA COISA DESSAS? PORQUE ELE ACEITA PASSIVAMENTE SER PRIVADO DAS DELICIAS DO PORCO? BISTECA, FEIJAO GORDO, TORRESMO, COSTELINHA, PERNIL... eu não aguento mais isso, não tenho pensado em outra coisa.

Mas vou parar e vou voltar ao meu estado conformado. Achando tudo natural, porque para viver aqui isso é extremamente necessário. Além de necessário é muito enriquecedor, sem dúvida. Outro dia eu conversava com o mesmo cidadão do porco, falávamos de reação de um povo à dominação, discordávamos grandiosamente e eu percebi que não era o diálogo de duas pessoas, mas o diálogo de duas civilizações... entendi muitas coisas sobre como as boçalidades se manifestam no mundo, mas eu quero escrever só sobre isso depois.

Ah... ia acabando e pensei que talvez o falta de carne de porco no organismo leve alguns povos a um estado de "nevrosia" desmedido... mas precisa de muita pesquisa para confirmar essa hipótese...

Folclore

Política virou uma coisa engraçada e isso não tem a menor graça...

Foi muito triste ler, no estadao.com, a matéria Partidos lançam famosos e atletas para ''puxar votos''.

Não tenho mais comentários...

04/04/2008

La Bretagne...

Essa semana fui ao passeio, visitei o oeste da Fança, a região chamada Bretanha. Fiquei em uma cidade extremamente simpática, Lorient. Os habitantes da região têm essa fama: "os bretões são simpáticos", é o que se diz pela França. Eu não tenho nada a acrescentar. São incivelmente simpáticos e tranquilos, de fato. Dois dias calmos, muita caminhada, vendo muitas coisas bonitas e sendo muito bem tratada a cada contato.



Esse é o Port de Plaisance, para particulares. Bastante interessante. Andei demais por aqui, o dia estava bonito, temperatura amena e pouco sol.

Aqui eu vi uma coisa completamente inédita para mim, que não tenho muito contato com as "coisas do mar". Vi como eles tiram um veleiro do mar. Fiquei muito impressionada e enquanto as pessoas trabalhavam (porque não é uma operação muito simples), em plena quarta-feira nada turística, eu tirava um milhão de fotos do que eles faziam. Eu era uma atração para tão interessante quanto eles para mim. Mas não tive vergonha e mandei bala na fotografia. Escolhi as duas fotos para mostrar aqui...

Nesse primeiro dia eu ainda vi um antigo farol, coisa que também nunca tinha visto. Esse foi construído em 1744.
Sobre a arquitetura da cidade eu não tenho muito para contar. Geralmente, as cidades francesas têm belos centros históricos, muitos prédios em pedra, muitas catedrais, por aí vai... Lorient foi completamente destruída durante a segunda guerra. Não sobrou nadinha de nada. Então toda a arquitetura é da década de 50... o que para mim é uma coisa muita triste e feia, é uma cidade de caixotes... mas eu sou ignorante nesse assunto, é apenas uma impressão. Contudo, não gostei mesmo. Nã encontrei nenhum charme na cidade fora dos portos e cais.

Depois de andar muitas horas vendo essas coisas que mostrei, a grandeza natural da paisagem... e também outras coisas mais simples, reparando na vida da cidade, nas pessoas, eu não tinha mais pernas e voltei para o hotel, para me preparar para um jantar com o grupo do congresso do qual o Sylvain participava. Restaurante elegante, comida elaborada (para mim quase "incomível") mas que nos deixa com fome logo após o jantar... Infelizmente não tenho foto da entrada com gosto de pêssego com queijo de cabra... muito chic, que eu tive que empurrar para a garganta sorrindo...

Para terminar, eu vou deixar algumas imagens da vista do Port de Plaisance...

30/03/2008

Um comentarinhozinho...

Uma emissão da TV Senado francesa convidou três especialistas em América Latina. Um jornalista político, o chefe da redação do Le Monde Diplomatique e um pesquisador da mais importante escola de ciências políticas da França. Esse último coordena um observatório sobre a AL. Foram seus comentários que motivaram essa postagem.

Entre os temas discutidos: energia, as diferentes modalidades de esquerda, disputa velada entre Chaves e Lula pela influência na região, relação da AL com os EUA...

Em suas considerações finais, relacionadas a qual dos países apresenta maior vocação para influenciar a região, o pesquisador disse que o Brasil tem um peso indiscutível na AL, mas ponderou, afirmando que a sociedade brasileira está longe de ser um modelo, principalmente por apresentar uma enorme desigualdade social e ser racista. E ponto.

Desigualdade e racismo são, eu suponho, os dois principais aspectos da sociedade brasileira na visão desse senhor. Isso significa, na visão do observatório que ele dirige. Significa ainda, na visão acadêmica francesa.

Ainda que ele estivesse na TV e que disso resulte uma necessidade de síntese extrema, se ele destacou essas duas características apenas, não deve ter sido por causa de um "branco" que fez com que não se lembrasse no momento de outros aspectos relevantes, mas porque para ele trata-se, de fato, de um binômio emblemático.

Eu achei suas considerações pobres. Não acho que desigual e racista seja a melhor definição de Brasil... mas esse não é o centro da questão.

A questão é a constante simplificação do Brasil (e da AL de maneira geral) ou das questões brasileiras na imaginário francês e na "produção intelectual" francesa.

Já não me assusta ouvir absurdos que demonstram a completa ignorância do "cidadão francês médio", seja na rua, no café, no bar ou entre alunos da universidade. Mas ainda me assusta a visão pouco aprofundada e permeada por preconceitos e preguiça intelectual de "formadores de opinião", estudiosos, etc.

Bom, não era assim que eu queria colocar essa questão, mas fiquei com preguiça no meio do texto... depois eu falo para a mamãe o que foi que eu pensei exatamente sobre isso... chega por agora...

28/03/2008

Quanta sacanagem

Hoje, enquanto fazia minhas andanças internéticas, encontrei duas coisas assustadoras:

Primeira: o Créu ! Podem rir e dizer que estou por fora, mas não conhecia isso mesmo. E agora que conheço estou um pouco sem rumo. Acho até que eu preferia a Lacraia... rs. Achei que esses absurdos já estavam cansando até os mais babacas, mas parece que não. Pensando bem, vou ficar mais um ano desatualizada para evitar esse tipo de coisa.

Segunda: coluna Consultório Sentimental da veja.com. Me deixou bem atordoada e acho que eu pefiro o Créu que, ao menos, é direto... "olha, você está comprando um lixo". Esse mundo é uma sacanagem...

bjs

25/03/2008

Outras diversões de inverno

Inverno não combina muito com rua por aqui. Durante esse período, além de ver muitos filmes, desenvolvi outros hábitos de entretenimento. Um deles me atrai mais que os outros. Trata-se de ler comentários de leitores em jornais on line e blogs desses mesmos veículos. Principalmente no estadao.com...

São verdadeiros festivais da loucura!

É impressionante o número de perturbados gastando horas e horas da vida em discussões pouco produtivas. Uns ensaiam um eruditismo fora de propósito, outros denunciam o "Império americano" e a "corja sionista" mesmo quando a postagem trata de animais abandonados (para ficar apenas nesse exemplo absurdo), outros atacam o blogueiro constantemente, "esse segue tal agenda", "aquele é vendido", "o editor é judeu, então o jornal não tem credibilidade".

Há, ainda, os loucos raivosos "anti-petralhas"... uma em especial me choca quando entra numa discussão sobre uma "nova onda de xenofobia nos EUA" e escreve simplesmente "esquerda é merda", como se isso dissesse, assim, isoladamente, qualquer coisa. Uma virulência inacreditável.

Cada blog tem seus habitués, eles formam grupos interessantes, podem trocar mais de 1000 mensagens em algumas horas. Eu as leio (devo ser ainda mais perturbada) e não posso destacar nem 1% de comentários pertinentes, interessantes. Eles me servem apenas para saber o tipo de gente que eu não quero ser, o tipo de bobagem que não quero afirmar e o tipo de intolerância perigosa e infundada da qual eu quero distância. Ainda assim, leio. Por que?


Não sei ao certo. Mas acredito que isso seja, de algum modo, representativo. Essas pessoas têm, em geral, um nível de instrução elevado, mesmo que na âge de la baudetisation (termo criado por mim, em francês para parecer mais intelectual, que traduzido resulta simplesmente em era da jumentização) isso não represente grande coisa. Buscam informação, falam outros idiomas, muitos vivem em outros países, têm uma cultura geral razoável (sabem colocar o Oriente Médio no mapa). Fazem parte daquele grupinho chamado "(de)formador de opinião".

Acho que esse microcosmo pode fornecer informações precisosas sobre as "mentalidades", acho que se o extrapolarmos, teremos um retrato em parte fiel desse grupo social, suas divisões internas, suas crenças, seu modo de tratar a informação que recebe em profusão... mas, no que me interessa mais específicamente, sua raiva e sua cegueira.

Todas as questões do homem na pós-modernidade, ou na minha âge de la baudetisation, estão exacerbadas nesses espaços virtuais... ACHO eu, repito.


O que farei é simples, vou começar a reproduzir aqui algumas pérolas encontradas nessas páginas. Vou fazer um inventário bem humorado disso, para me divertir um pouco e para discutir com a minha mãe, principalmente, esses comportamentos peculiares e, quem sabe, aprender algumas coisa. Nenhum exercício de observação da realidade é inútil (Claro que pode-se argumentar que esse não é necessariamente um exercício de observação da realidade, por n razões que envolvem as características da internet, etc... mas para mim é bastante real e interessante, mesmo assim).

22/03/2008

Doente em casa... filmes e choradeira besta.

É uma grande porcaria ficar doente. Pior ainda quando ficamos doentes e temos crises existenciais ao mesmo tempo. Essa junção pode causar coisas realmente estranhas...

Assisti dois filmes muito dos sem-vergonhas, feitos para causar uma pequena emoção quando exibidos na sessão da tarde, mas que me fizeram cair num choro louco, mal conseguia respirar.... o nariz escorrendo, horrível, eu quase me matei entre lágrimas, lenços, melecas... uma loucura !

Então vou deixar registrado aqui para que vocês evitem juntar esses filmes, gripe tenebrosa e crise existencial...

August Rush (2007)

O som do Coração lançado, no Brasil, em fevereiro de 2008. Dirigido por Kirsten Sheridan. Veja o trailer:



Esse filme se parece com um sem número de outros filme, faz uma mistureira de fórmulas que "funcionam". Tem menino órfão, prodígio musical, menina rica com futuro brilhante afastada de músico pobre pelo pai mau, mentira a dar com pau, o Robin Williams (que dá um ar de "filme sensível", mas que na verdade não filmou nada decente nos últimos anos)... muito elementos. Mas é filme safado... não se deixem enganar e, sobretudo, escolham um momento em que todas as suas faculdades mentais estejam em ordem...

The Water Horse: Legend of the Deep (2007)

Que ganhou o título Meu Monstro de Estimação e também foi lançado em fevereiro de 2008, pelo que li aqui. Dirigido por Jay Russell. O trailer:



Esse também vem com todos os elementos, mas ainda tem monstro e Segunda Guerra! Ironicamente, é pior que o primeiro na forçada de barra, mas me fez chorar duas vezes mais. O menino fechado e solitário e o monstro do Lago Ness... que tem cara de dragão, mas não é, é "Cavalo das águas". Porque todos os monstros de Hollywood têm a mesma cara? E porque eu tó dizendo que eles têm cara de dragão, se nunca vi um dragão? Olha como me condicionaram... ô tristeza! Então: porque todos os monstros de Hollywood tem cara de dragão de Hollywood? Ah, deixa pra lá !

12/03/2008

25.634.978.416.588.465 PECADOS

Os leitores religiosos que me perdoem, tenho todo o respeito que posso por quem faz a escolha de seguir uma religião, acreditar num ser supremo e assim por diante. Mas eu preciso perguntar:

Que conversa é essa de pecado? E de novos pecados?

Os 7 já não tinham muito cabimento, mas como a gente (digo o leigo, claro) não sabe bem quem foi o primeiro esperto que começou a falar disso, muito menos quem foi o primeiro bobo que engoliu e, por parecer razoável classificar a ira, por exemplo, como comportamento indesejável, não se pensava muito neles. Mas eu não consigo, de fato, entender essa nova e desesperada listinha de novos pecados - adaptada à "realidade da globalização" - dessa indigníssima instituição.

Realidade, para começar, deveria estar muito longe do discurso de qualquer pessoa que escuta a palavra "papa" e é capaz de achar algum sentido ou fazer qualquer ligação. Quando eu leio "papa", isso poderia ser qualquer coisa, até uma marca de biscoitos (seria até mais interessante no mundo globalizado).

Agora "deus" vai nos punir pelo que já nos punia e também:

Violações "bioéticas", como controle de natalidade;
Experimentos moralmente dúbios com células-troco;
Poluição do ambiente;
Agravamento da injustiça social;
Riqueza excessiva;
Geração de pobreza;
Uso de drogas.

"Monsenhor" Gianfranco Girotti (entrevistado por L'Osservatore Romano) nos deixou um grande elemento para reflexão quando afirmou que "A droga enfraquece a psique e obscura a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito da igreja". Eu diria que este senhor encontrou as melhores palavras possíveis para definir uma outra coisa, a ação da igreja. Essa sim, enfraquece a psique e obscura a inteligência. Só para que conste, não estou fazendo uma defesa da droga, é algo terrível, tão terrível quando a igreja ou a "bispa" Sônia, ou o câncer de cólon do post anterior...

Eu vou continuar depois, tem um montão de desaforos que eu preciso proferir ainda! Talvez um post para cada novo pecado... vou pensar.


Wellcome Image Awards 2008

Eu adorei algumas imagens premiadas no Wellcome Image Awards 2008. São imagens feitas a partir de pesquisas médicas. Realmente, nunca tinha pensado no lado artísico do câncer de cólon, na beleza da traquéia do bicho da seda ou nas cores vivas, quase psicodélicas, da meningite bacteriana. Vale dar uma olhadinha...





Células de câncer de cólon crescendo em amostra !











Vilosidades do intestino delgado humano !








Meningite bacteriana !





Imagem de uma única célula de câncer de mama !







Mosca em cristais de açúcar (esse eu adorei) !






10/03/2008

Não aguentei...

Esse vídeo me foi indicado por uma amiga, não aguentei, preciso postar... conheço pelo menos duas pessoas que vão se divertir muito com isso...

O nível caiu violentamente...

Como dizia o post anterior, eu estava muito satisfeita com o excelente nível dos filmes que via. Isso acabou hoje ! Culpa do cinema francês...

Antes de qualquer coisa, quando não se pode nem confiar na classificação de um filme a coisa vai mal. Não é exatamente o caso aqui, mas acontece constantemente, você lê comédia e pode se preparar para o choro, ou para não achar a menor graça, ou ainda para não entender (sem que o problema seja necessariamente seu).

Tem uma coisa pior que cinema francês que se pretende intelectual, é cinema francês comercial. E esse é o caso aqui. O lixo se chama Toutes les filles sont folles (2003), do ilustre Pascale Pouzadoux. Acabou com o meu dia. Vou dar nota -2 para esse.

Mudando completamente de assunto. Essa é a maravilha de escrever para ninguém, ou quase... pode-se viajar livremente. Eu fico feliz de poder falar mal desse filme, evito até o câncer provavelmente... que maravilha... e não tenho que levar em consideração o que os meus "leitores" gostariam de ler por aqui, nem se isso é interessante para mais alguém no planeta além de mim... é um exercício de egocentrismo fantástico... agora chega.

08/03/2008

Mais um filme "daqueles" !


Eu tenho tido muita sorte ultimamente. Excelentes livros e excelentes filmes. Digo sorte e não bom gosto porque não são necessariamente escolhas. Meu marido procurava informações sobre um filme do Woody Allen, Bullets Over Broadway (1994), quando leu uma crítica sobre um filme japonês chamado Warai no daigaku (2004), Escola do Riso, no Brasil.


Surpresa maravilhosa! Pode-se ver o trailer e ler a sinopse aqui.


Adoro filmes que deixam uma satisfação meio inexplicável quando terminam. Sobre os quais podemos pensar, mesmo dias depois de termos visto, lembrar de um pequeno detalhe, fazer ligações sutis.

Gosto de indicar esse tipo de filme e depois ficar perturbando minha mãe porque ainda não assistiu... e se ela assiste quero saber tudo o que pensou, quero saber se pensou como eu e tenho tendência a ficar bem brava se não... mas depois aceito, o que se vai fazer?
Vai aí mais uma então, para engrossar a fila de Elsa y Fred (comédia espanhola simplesmente deliciosa), A vida do outros (dispensa apresentações), Adam's Apples (de Anders Thomas Jensen, diretor e roteirista que tive o infinito prazer de descobrir em 2007)... e assim vamos.

03/03/2008

Era uma vez...

... um Ditador que precisava fabricar uma guerra.

28/02/2008

Não sou boa de títulos...

Ontem, 27 de fevereiro, acordei com um descontentamento. Quem me conhece bem pensará que nada de novo há nesse fato. Mas era um descontentamento diferente. Ele tinha vontade de ser passageiro. Chegou dizendo, me espanta.

Eu tinha muito o que fazer, situações desconfortáveis para resolver. E os bons conhecedores de Paula, já citados, vão sorrir, sabedores do quanto minhas situações desagradáveis podem ser espinhosas.

Na saída, pensei no que poderia aliviar meu espírito... uma leitura para os longos minutos no metrô.

Simples assim, entrei numa livraria, exatamente entre minha casa e a estação de metrô. Uma das várias livrarias que posso encontrar num raio de 150 metros, talvez, da minha casa.

Escolha do dia. La Peste de Albert Camus. 5.30 euros, mas poderia ter sido menos. Porém, fui grande esbanjadora e escolhi uma edição mais bem acabada e com um anexo de análise da Littérature philosophique e do Réalisme critique de Camus... Ah, esses novos ricos.

Vou fazendo as pases com essa terra nesses detalhes. Faço uma continha rápida, com um salário mínimo posso ter e curar uns 200 descontentamentos. Eita, coisa boa!

24/02/2008

Nova enquete...

Finalmente ! Descobri o famoso sabotador de enquetes (que já ganhou até um post). Mas tenho que confessar que foi frustrante. Nutri, durante dias, todos aqueles sentimentos conturbados sobre minha segunda mãe, para descobrir agora que não foi ninguém mau e cruel com as intenções nefastas atribuídas por mim.

Foi uma pessoa muito querida, a grande MSilvia. Me disse, singelamente, "adoro a enquete, voto que sou sua mãe, acho que é o papel mais próximo" e depois "é como na FUVEST, vou por eliminação." Pronto, está explicado !

De algum modo, fico muito feliz. Ela não se via como meu marido !

Somado a isso, houve a reclamação do Pedro, que se sentia excluído. Mas eu não podia imaginar que teria tantos leitores, já são mais de 5 (Maridão, Dona Mamãe, Patrícia, Helena, Pedro... espero que a Vania apareça também, MSilvia)
Farei, então, uma enquete customizada... heheheh.

20/02/2008

Achei !

Foi feita uma tradução de um deles no Brasil...

"A gloria de meu pai"
Pontes (Sao Paulo) - coleçao autores franceses - 1994
ISBN: 85-7113-089-2

Infelizmente, é o único... serei obrigada a traduzir os outros... hehehhe

Marcel Pagnol

Tudo que achei na internet sobre ele, em português, foi um pequeno "Marcel Pagnol (28 de fevereiro de 1895, em Aubagne, França - 18 de abril de 1974, em Paris, França) foi um escritor, dramaturgo e cineasta francês".

Seguido de algumas citações, sempre irritantes, que fazem todo grande escritor parecer um palestrante pilantra da área de auto-ajuda, que fala "seje" e "teje".

Não sei se foi traduzido, estou procurando e espero mesmo encontrar, para poder indicar para todo mundo que eu conheço. Nesses tempo de loucura é bom ter contato com a delicadeza. Foi bom para mim.

Ontem (19/02), vi uma adaptação do seu Le Château de ma mère, que faz parte dos seus Souvenirs d'enfance. Já tinha visto La Gloire de mon père. Lerei as duas obras e depois outras duas que "fecham" suas memórias...

Estou encantada e não vejo a hora de começar essa leitura. O filme foi bem fiel e narrado em off, o que deu uma amostra deliciosa da força narrativa. Me emocionei muito. Gostaria que minha mãe pudesse ler isso. Talvez traduza para ela, de um jeito bem amador e em um ano... não sei se ela merece uma "tradução paulanista", mas vou pensar no caso.

As boas histórias de família são impagáveis. A família, as amizades e os pequenos amores da infância idealizados têm a força de falar de todos nós... é universal, atemporal... é doce demais.

Me lembrou Drummond, tão grande...

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
Lia histórias de Robison Crusoé,
Comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a
Ninar nos longes da senzala_ e nunca se esqueceu chamava para o café.
...
Minha mãe ficava sentada cosendo
Olhando para mim:
_Psiu...Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro...que fundo!

Lá longe meu pai campeava
No mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
Era mais bonita que a de Robison Crusoé.

Na aldeia... ainda bab-ilo

Na aldeia... isso é uma música mágica... tem as palavras mais lindas que eu já disse e uma ternura que não se usa mais, infelizmente.

No Bab-ilo... Fotografia

Olha eu cantando pro meu marido aí... como é bom cantar isso para ele! Ele fica com aquela carinha linda, aquele olhão enorme para mim... eu tremo, encosto nele e largo o gogó ! Ah, homem fantástico esse meu maridão, não há o que eu não possa... Obrigado, meu Sylvain - Cecílio... heheheh