23/07/2008

Algumas fotos

Algumas fotos de Annecy, feitas pelo vovô Georges (do meu marido), que adora fotografia e faz isso muito bem, diga-se de passagem. Fez minha pequena Nikon parecer um brinquedinho de criança, por isso vou postar primeiro suas fotos, depois selecionar as minhas (que são mais artísticas, como no post anterior... hehehhe).

Primeiro, uma bela vista do lago...

Agora, o centro antigo da cidade, que tem esse lindo canal, a vista das montanhas e essa arquitetura peculiar...



Para finalizar, vou colocar uma bela vista do Montblanc, com suas neves eternas... lugar bom de estar... chama-se Semnoz...


18/07/2008

"Vim-me embora de Annecy"

Voltei de Annecy, adorei a viagem, vi uma porção de coisas bonitas. Mas não tenho muito tempo para escrever, porque já estou me preparando para ir para a Normandia. Será rápido, vamos comemorar o aniversário do meu sogro em Villers-sur-mer e voltar para Paris logo na segunda-feira. Gosto dessa coisa de férias de verão... rs.

O Pedro me cobrou um comentário sobre o CD da (segunda)primeira-dama, farei isso quando voltar, para não estragar meu final de semana... sei que entendem.

Antes de partir, vou postar aqui as duas coisas imperdíveis desse passeio em Annecy...

Meus dedos espantados com a beleza do lago:


A equipe olímpica francesa de nado sincronizado que treina no memso lago:


Bom, volto na segunda com mais bobagens!

12/07/2008

Vou-me embora para Annecy

Voltarei na próxima semana.

Ainda não conheço a cidade, mas, pelo que vi em fotos, parece bonita. Será minha primeira experiência com a montanha no verão... meu marido gosta particularmente das caminhadas... deve ser interessante mesmo, estou ansiosa. Vou tirar muitas fotos para postar aqui depois.

Caso aconteça algo muito inusitado que exija post, passo rapidamente, caso contrário, até o fim da semana que vem!

11/07/2008

Eu gostaria de indicar a matéria abaixo, pois a julguei muito interessante. É assinada pela jornalista Adriana Carranca, que também conduz um blog que acompanho chamado Pelo Mundo - desenvolvimento global e direitos humanos.

Leia:

No País, 134 mil presos poderiam estar em liberdade

06/07/2008

Apenas um boneco

A matéria que chamou minha atenção:

Boneco de Adolf Hitler é decapitado em museu de cera



A polícia de Berlim prendeu um homem de 41 anos, depois que ele arrancou a cabeça de um boneco de cera do líder nazista Adolf Hitler neste sábado, 5, pouco depois da abertura do museu Madame Tussauds.

A estátua faz parte do acervo da casa, que abriu as portas ao público pela primeira vez neste sábado, após semanas de polêmica sobre a exposição do ditador.

Hitler aparece sentado a uma mesa em seu bunker, em uma cena que, segundo o museu, retrataria suas últimas horas de vida antes de ele se suicidar. O boneco não pode ser tocado nem fotografado, segundo as regras impostas pelos responsáveis do museu.

O homem detido se aproximou por volta das 10h (horário local) do boneco de Hitler e, quando tentou tocá-lo, outro visitante foi impedi-lo, o que levou a uma briga entre os dois. Logo depois, funcionários do museu também intervieram, e um deles ficou ferido na perna.

Finalmente, o homem, que segundo a polícia mora no bairro de Kreuzberg, arrancou a cabeça do boneco de Hitler, antes de ser controlado pelo pessoal da segurança do museu. O manifestante foi processado por danos ao patrimônio alheio e lesão corporal.

A porta-voz do museu Madame Tussauds, Natalia Ruoss, disse que o incidente não tinha como ser evitado. "Havia dois guardas de segurança que não conseguiram evitar o incidente", disse Ruoss. A porta-voz não quis dizer se o boneco de Hitler voltará a integrar a exposição e apenas destacou que isso dependia do dano causado. O valor do boneco é estimado em 200 mil euros.

Vários políticos, historiadores e representantes da comunidade judaica criticaram a estátua. A polêmica é ainda maior pelo fato de o museu, no centro de Berlim, se localizar justamente nas cercanias do grande memorial ao Holocausto.

A estátua do ditador está no mesmo pavilhão que abriga figuras de políticos alemães importantes como os ex-premiês Willy Brandt e Helmut Kohl. O museu de figuras de cera Madame Tussauds já expõe figuras de Hitler em outras filiais ao redor do mundo.


Bem...

Para mim não ficou claro se tratava-se de um indignado com a exposição de tal figura ou de um visitante fascinado pela imagem de Hitler, querendo tocar o boneco a qualquer custo.

O que não entendo de verdade é esse revolta contra um simples boneco de cera. Entenderia, em parte, caso esse boneco estivesse dividindo o salão com figuras admiráveis por seus feitos humanitários, caso fosse exaltado. Mas não é o caso, o boneco não serve a esse propósito. Oras, Hitler existiu. Foi uma figura fundamental (veja, fundamental e não louvável) na história da humanidade. É impossível entender uma vírgula de história contemporânea sem passar por esse personagem. Outra verdade: nada disso diminui o horror do holocausto.

Vejam, eu trabalho, aqui, com determinadas impressões, com alguns fatos. Não é minha intenção interpretar ou me contrapor ao que sente a comunidade judaica, eu não tenho a mínima condição de discutir essa dor impressa num povo, essa "lembrança do genocídio, fundadora da israelidade", como definiu Idith Zertal, historiadora israelense. Seria demais para mim. Também não se trata de um discurso revisionista, o ponto central não é refutar a historiografia oficial, é encará-la e não desprezar nenhum de seus aspectos.

Esquecer Hitler, colocar essa figura histórica num ostracismo absoluto é inútil, na minha humilde opinião. Também parece estranho lançar mão de sua imagem para encarnar o mal absoluto, quando se faz necessário, e guardá-la novamente. "Vamos proteger a humanidade da exposição a essa imagem para evitar a proliferação determinadas idéias"... seria isso? Não sei, não entendo.

Esse homem foi um homem, frase estúpida, mas é isso mesmo. Um homem, constituído de idéias, emoções, loucuras, amores, crenças, maldades. Protagonizou um episódio cruel da história da humanidade, deve ser lembrado e devidamente criticado por isso. Deve ser exposto de todo modo, não escondido e transformado em algo metafísico, oculto, na síntese do mal... Olhemos racionalmente para essa figura, reflitamos, tiremos dessa reflexão algo de produtivo; para mim, essa é a atitude mais lógica.

O que acham disso?

02/07/2008

Mais um ablogsurdo!

Esse blog é o campeão de absurdos no portal do Estadão... chama-se Palavra de Homem, feito por Felipe Machado, que é apresentado assim "é jornalista, músico e passa o dia tentando entender o que se passa na cabeça das mulheres".

A culpa do alto teor "anomaliático" nem é tanto do jornalista, que faz exatamente aquilo a que se propõe nesse espaço: fala de coisas corriqueiras da vida, de comportamento, música, sempre com um texto de tom mais intimista, um pouquinho de humor, como numa conversa de bar... A culpa é da orda de fêmeas mal amadas que acessa de seus escritórios transformando os comentários num chat "u-hú... somos amiguinhos" e dos caras babacas que ficam bajulando essas loucas, formando um grupinho superdivertido... é claro que uma delas já providenciou uma comunidade no orkut para que eles aprofundem o contato ("Comunidade dedicada a todos os blogueiros que, fielmente, deixam seus comentários no blog do "Chefe da Gangue", Felipe Machado!") ... é de vomitar!

Um pequeno exemplo do conteúdo (comentário no blog):

"Oi amores do blog!!!!!!!!!Lisa,Alê,Digo,Corte,Nathy,Gika,Teresa,Major e todos que eu adoro!!
Estou morrendo de saudades de vcs!!!
Um beijão para todos!!(um pra cada viu??)"

Rápida consideração: Essa anormal deve adorar a Xuxa até hoje!

Eu identifiquei uma tendência interessante nos comentários... todas elas concordam plenamente com TUDO o que ele escreve, acham tudo lindo, supermeigo, tipo assim... Algumas das habituées se salvam um pouco, mas é o reino do clichê... Então, eu acho que elas estão apaixonadas pelo blogueiro, que é o "tipo ideal" em suas cabecinhas; porque ele é bonitão, charmoso, tem visibilidade, é guitarrista do Viper (banda que eu detesto, elas provavelmente também... mas viraram fãs alucinadas... em casa, a filha da mãe escuta o Zéze e chorou no cinema em 2 filhos de Francisco... mas decorou cada música do Viper para ver se atrai a atenção do blogueiro... ou de algum baba ovo que aparece por lá, no pior dos casos).

Outra coisa bizarra, que podemos ver pela descrição da comunidade criada é a idéia de que o blogueiro é o "Chefe da Gangue". Eles acreditam realmente que aquele espaço público, no portal de um jornal, é o quintalzinho deles... que eles têm mais direitos que qualquer outro anônimo de postar comentários, porque eles são o grupo querido do blogueiro, sempre lá, escrevendo... "Fê, você é demais! Sempre falando o que a gente quer ouvir...". Chgam a dar as boas vindas a um nick novo... "entre, sinta-se em casa".

A coisa fica psicótica mesmo quando alguém posta um comentário contrariando, ou criticando abertamente a opinião geral. Nossa! Eles (elas principalmente) viram uns fundamentalistas, não conseguem argumentar, seria pedir demais, então começam a dizer que a pessoa é um intruso e que deve se retirar do espaço deles. Muito interessante mesmo. Um sem noção escreve... "Fulano, não gosto de você porque você maltratou a Alezinha, que é uma pessoa superlinda, vá embora, não queremos você aqui"... 5 outros malucos do grupinho vêm em seguida: "isso mesmo, concordamos plenamente!" só falta acrescentar "seu bobo". Essa gente deve dormir até hoje chupando o dedo e com um paninho no nariz.

Eu tenho pena e uma curiosidade mórbida que me leva até lá umas 2, 3 vezes por semana. E, é verdade, eu sou preconceituosa...

Seria impossível selecionar comentários especialmente idiotas no meio de tanta barbaridade, então deixei o link para o blog e quem quiser se divertir com isso (acho que ningém tem essa mesma loucura, mas tudo bem) pode ir até lá. E chega de falar mal dos outros, por enquanto...

01/07/2008

Olha isso!!!

Puta merda! Precisa de palavrão... tem umas coisas que não são normais... vocês acompanharam o meu probleminha com a cafeteira... Agora, estava pesquisando acessórios para a minha cafeteira Bosch 1401, mais precisamente a canequinha de vidro que estourou...
Pensei, que bom que foi so a canequinha e TODA A CAFETEIRA ainda está em ótimo funcionamento...
Para eu ter certeza de que não estou ficando louca, fiz imagens dos sites que pesquisei e vejam o que eu encontrei, me expliquem, por favor!

Olhem só quando custa para a garrafinha de vidro chegar aqui em casa em até 72 horas:

Reparem que diz bem grande "Saldo de Verão"... custa 23.40 euros!!! Isso é um absurdo... porque dá uma olhadinha em quando custa para a cafeteira chegar aqui em casa em 72 horinhas...

Tem mais um pequeno valor de frete, ficando alguns centavos mais cara do que o copinho maldito que estourou... e que custa mais de 98% do valor da cafeteira...

Olha, isso deixa qualquer um puto...

30/06/2008

Penso, logo apanho

Finalmente, voltei para falar de um bom filme. Como já tinha começado a dizer, trata-se de Ben X (Bélgica, 2007).

Um adolescente com Síndrome de Asperger, um "tipo leve de autismo" (informações completas, aqui) enfrenta uma séria perseguição na escola. Em casa, ele se "refugia" no universo de um famoso jogo on line de RPG (Archlord), no qual ele é um "nível 80", forte, imbatível. A realidade e o jogo aparecem mescladas no filme, como acontece na própria forma do adolescente ver o mundo.

Vários aspectos desse filme podem chamar atenção, dependendo da "inclinação" de quem o vê... Assim, o fanático pelo jogo, ficará encantado pelo modo como as imagens do jogo permeiam a imagens clássicas, o que está muito claro no trailer abaixo. O crítico ferrenho desse tipo de jogo pensará nos perigos da fuga da realidade, no acirramento da violência, na perda dos valores ou sei lá...




Eu, Paula (muito prazer, rs), me interesso pelo Bullying. Foi o que mexeu comigo, muito além da experimentação narrativa, dos efeitos, do jogo, de qualquer outra coisa. Principalmente, porque o filme tem como ponto de partida, de inspiração, uma história real.

Qualquer indivíduo dito "normal" é capaz de lembrar de como os tempos de escola foram duros. Imaginem os que sempre foram taxados e considerados "diferentes"...

Se você é meu leitor, certamente não foi o imbecil valentão que sacaneou todos a sua volta na escola: a gorda, o cara de óculos, a menina de aparelho, o nerd... espero que não tenha sido entretanto o perseguido... você deve ter feito parte daquele enorme grupo que sabe que esse tipo de coisa acontece, conviveu com isso, sentiu pena de alguns, achou outros boçais, mas se calou, vai que a próxima vítima é você... não é? Quem tem coragem de defender o esquisito?

O esquisito é muito bem mostrado nesse filme... é la dentro, na cabeça do "diferente", que tudo acontece... E que raiva nos causa, que vontade de gritar, de responder às violências que ele sofre! Porque o esquisito nos foi bem apresentado, não é mais tão esquisito. É alguém que tem uma dor imensa e bloqueios que vão além do seu querer; reservamos duas horas para entender esse "diferente", bastou.

Não é um exercício que estamos acostumados a colocar em prática, o outro ainda é uma coisa que nós preferimos enquadrar baseados nos indicadores externos, mais fáceis de apreender. Definimos vários tipos e também o que esses tipos são obrigados a aguentar no decorrer da sua vida, fazemos isso desde pequenos.

Sempre achei as crianças naturalmente cruéis. A maioria das pessoas que conheço critica esse meu ponto de vista, me incluindo na categoria não-gosta-de-criança. Mas me parece muito plausível acreditar nisso, basta dar uma olhadinha em como se relacionam entre si, basta lembrar de como era na escola.

Mas é claro que existe uma diferença entre determinar que quem peidou for o gordão porque a bunda dele é maior e filmar, com o celular, durante o recreio, um espancamento e colocar no youtube. Via num documentário que isso está ficando corriqueiro por aqui, triste.

Na minha época (engraçado escrever isso, finalmente chegaram tempo e tema que me permitem usar essa frase, eita nóis, que alrgria!rs) levar uma borrachada era violento, ela batia nas suas costas, seu corpo se movia de um jeito estranho e todos riam, você se sentia humilhado, tinha receio de olhar para trás e ver aquelas caras felizes vendo sua cara cara de cocô...

O que você podia fazer? Podia levantar e espancar o imbecil que jogou, ir para a diretoria e levar para sempre o rótulo maginal violento, evitando borrachadas futuras. Ou, porque não, aceitar a borrachada um um pouco de humor, torcendo para que fosse uma coisa pontual, que não voltaria a contecer, faz aquela cara de cara legal, fala uma coisa espirituosa e torce, torce...
O que mais? Podia pegar a borracha no chão e atirar rapidamente em um outro mais bobo e fraco do que você para que todo riam dele, ufa!, que alívio... (esse sempre foi o tipo de anormal que eu mais detestei... hoje eles fazem intriga no condomínio, mas na reunião ficam com uma cara de visinho legal, doentes!). Ah, há um outro tipo que eu não tenho capacidade de entender, de interpretar, mas sei que existe... o voluntário da borrachada, "atirem borrachas em mim!".

Bom, lembro dessas coisas, mas lembro da minha mãe, principalmente, me convidando a colocar-me no lugar do outro, imaginando como se sentia meu amiguinho em tais condições e como deveria ser infeliz a atirador de borrachas, já criava imagens complexas para que eu interpretasse, me convidando a sentir uma variedade de coisas e me a colocar em vários papéis. Mas houve também a minha irmã mais velha que nunca aceitou participar desse tipo de circo, coisa que minha mãe sempre elogiou, reforçando, para mim, essa imagem de justiça e de tolerância.

Eu sempre tive amigos "diferentes" gostava deles, mas isso não me causava problemas com os atiradores de borracha; eu era grande e tinha uma cara feia, escondia muito bem o meu gênio mais para bebezão da mamãe do que para garota violenta, mas ninguém queria descobrir isso. E depois o esporte me salvou... garantiu minha passagem sem maiores transtornos por essa fase da vida. Mas eu sempre observei e sabia muito bem o que eu não queria, fui, emocionalmente, muito bem educada (tenho outras sequelas que não vêm ao caso, mas essa não... hehehheeh)

Dá para ver que eu gostei mesmo desse filme, não é, estou aqui viajando... mas isso é bom demais. Não é um artigo científico nem nada. Eu gosto de ver um filme com a liberdade de dar uma pausa e passar as duas horas seguintes divagando, mesmo mudando de tema, indo lá longe, voltando, ligando a alguma outra coisa que ouvi outro dia, perguntar para o meu marido o que ele acha daquilo, depois daquilo, depois daquilo... e ele tem que ter opinião... ai ai ai... depois posso até abandonar o tema para sempre... não importa... eu sempre tenho a sensação de que o espírito saiu enriquecido desse passeio... faço isso incansavelmente com a minha mãe ao telefone... ela também é... hum, hum..."especial"... hauahuahuahuah...

Voltando ao tema, para terminar, prometo (se alguém chegou até aqui...): o que me assusta um pouco é a impressão de que não só a frequência do bullying cresceu, mas também sua complexidade e crueldade. Eu não entendo muito disso, minha mãe fez um trabalho sobre isso há algum tempo e vou ver se ela tem algo escrito para nos ceder, gosto dessa discussão. Mas vou continuar depois...

Eu só queria falar de um filme que faz pensar... se fosse professora ele estaria na minha sala de aula... Pois, ao contrário do que pensa muita gente, acredito que crianças possam ser confrontadas a coisas complexas, sofrer frustação, entender limites e, mais importante, receber incentivos para construir e exercer plenamente sua humanidade (no sentimo mais amplo do termo).


Filmes e mer... (conteúdo impróprio)

Há tempos não falava de filmes. Continuo firme nessa paixão, vendo em média um por dia. Vou destacar aqui o pior dos últimos meses, depois o melhor (deixando mais tempo para este, claro).

Corram de O Método, filme espanhol de

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Advertência!
Este parágrafo contém linguagem imprópria e senso de humor duvidoso


Vou parar isso aqui e contar a merda que acaba de me acontecer... são 6 da manhã... liguei a cafeteira e vim aqui escrever... enquanto escrevia ouvia o barulhinho bom da cafeteira e subia aquele cheirinho gostoso... me deu vontade de ir ao banheiro, fui... sem mais detalhes para essa parte... do banheiro, começo a ouvir um novo barulho, dessa vez muito anormal, vindo da cafeteira. Aquele tipo de barulho que te diz que você deve correr para evitar uma merda maior do que a que já está se passando... o problema aqui é que a merda te chama e a merda te prende... é um desespero absoluto, vocês podem imaginar... depois de muita tensão - e de constatar que a tensão em nada resolveria meu problema - relaxei, pensei "deixa essa merda rolar, o pior que pode acontecer é eu ter que limpar, se não der com papel, ou pano, nada que água e sabão não resolvam..." E assim foi, o fundo da cafeteira tinha estourado e minha cozinha estava alagada daquele líquido preto. Limpei tudo... agora, com tudo limpinho posso sentar aqui e continuar falando de filmes, para não perder a linha, retomo o raciocínio justamente na merda do filme espanhol que eu apresentava...
Me desculpem pela linguagem imprópria, vou colocar uma advertência (que vocês já leram) antes do parágrafo, mas não pude me conter... tinha me ocorrido fazer um trocadilho ainda mais cretino, café - merda - borra... mas me controlei... chega de apresentar meu processo bizarro-criativo, vou voltar ao tema do post...

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Então. Eu falava de El Método, produção espanhola, argentina e italiana de 2005. No Brasil foi chamado de O Método no Festival do Rio, mas depois algum gênio do marketing achou mais interessante mudar o título para o maravilhoso O Que Você Faria? Eu começaria mandando à merda... heheheh

Lê-se na capa "Até onde estaria disposto a chegar para ser o escolhido".
O tal método é uma ferramenta de seleção bastante "inovadora"... 90% do filme se passa na sala onde ocorre a dinâmica, onde os participantes vão descobrindo o método aos poucos, as tensões e os detalhes das personalidades vão se aflorando a cada nova "prova" a que são submetidos.
Um monte de besteiras pra lá, diálogos e personagens pouco consistentes pra cá e aquela sensação dos 10 primeiros minutos de que veríamos um filme pelo menos interessante acaba. Para completar aquele final que te deixa sem entender para dar um ar de profundidade e garantir que você se sinta burro antes de ter coragem de falar mal do filme.

Eu não tenho nada contra os filmes ruins, eu até gosto. A questão é como um filme "se pretende". Um diretor que fez um filme ruim, mas tem plena consciência disso não é um imbecil, certamente. Mas o cara que fez um grande lixo acreditando piamente que foi genial é um grande jegue. É o caso aqui. Não importa quantos prêmios tenha recebido, eu prefiro passar o meu tempo com O Guerreiro Didi e a Ninja Lili.

Quando eu comecei esse post, há uma hora atrás, antes de toda a confusão, eu tinha em mente falar rapidamente desse filme ruim e depois falar de Ben X, uma produção belga de 2007, que eu adorei ver essa noite, mas agora eu já me estendi e me irritei muito... vou parar e volto no próximo post para falar dessa beleza de filme, para o qual eu não encontrei nem título em português, nem dada de lançamento no Brasil, mas vou pesquisar melhor...

Obrigada por aguentarem até aqui... heheheh

22/06/2008

Atendendo a pedidos

Eu não tive muita inspiração esses dias, cada vez que começava um post o abandonava por pura preguiça.

Então recebi um e-mail de uma querida amiga, a Maria Silvia, que encaminhava uma matéria muito interessante da Gazeta Mercantil. Além de interessante justifica um pouco esse meu comportamento, vindo muito bem a calhar... vejamos:

Estudiosa defende a preguiça como estratégia de resistência

São Paulo, 16 de Junho de 2008 - Scarlett Marton, conceituada professora de Filosofia Contemporânea da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), concedeu, na semana passada, uma palestra polêmica sobre workaholics. Além de apresentar as possíveis razões para este fenômeno, trouxe à tona uma visão nada convencional sobre o tema

Disse que o homem contemporâneo precisa retomar a preguiça, como estratégia de resistência. "A atual compulsão por trabalho criou pessoas sem consciência da própria existência. E isso não é saudável, nem no ambiente corporativo, nem no lar, de maneira geral. Isso atrapalha o trabalho em si", diz Scarlett.

Para chegar a este pensamento, a filósofa recorreu à história do trabalho. "Na civilização greco-romana, o homem comum não tinha ocupação, ofício, profissão. Trabalho era sinônimo de degradação, tortura, era atividade para os escravos", diz. Ela conta que só no século XIII, o trabalho ganhou um certo status entre as sociedades européias, graças às atividades manuais exercidas nos monastérios. "E o reconhecimento como valor social se dá apenas no Renascimento, no século XVII. Nesse período é que é visto como elemento que aprimora, desenvolve o homem. A idéia de lazer vai ser então ser desenvolvida somente na década de 30 do século XX, com as férias remuneradas", afirma.

Em suas pesquisas, ela conta que a idéia do mesmo "lazer", hoje, vem acoplada a uma certa obrigação. "Você tira férias e se sente na obrigação de viajar, de ter muito dinheiro para pagar um belo hotel, consumir belos produtos", comenta. "Tudo nos é imposto pela propaganda".

E esta noção de diversão, conforme a professora, teria se intensificado há 30 anos, quando apareceram os workaholics. "O evento do trabalhador compulsivo é muito recente. O homem moderno não se dá conta de que o ócio concede mais consciência sobre nossa própria condição humana. É preciso exercitá-lo". Mas como exercer o ócio em uma sociedade que tanto nos cobra? "É preciso ter espírito crítico quanto às nossas atividades cotidianas, prestar atenção se nossos desejos são verdadeiros, ou fabricados e padronizados pela publicidade", critica.

Se a teoria é bem articulada, o certo é que não é tão simples colocá-la em prática. A opinião é do dentista Oscar Razuk, que criou uma teoria de otimização de tempo ao perceber que 72% de seus clientes, a maioria formada por executivos, abandona os tratamentos dentários simplesmente por que são workaholics. "São pessoas que se preocupam muito com o trabalho e que se esquecem da própria vida. No meu caso, dentista que sou, tento mostrar que a saúde bucal pode aumentar a expectativa de vida de uma pessoa em até quatro anos. Muitos alegam, porém, que não têm tempo para acabar o tratamento, pois perderiam tempo e isso quer dizer perder dinheiro. Acabei então por pensar em palestras que abordam justamente a importância de se perceber que a saúde interessa mais do que o trabalho ou o dinheiro", conta.

Cidinha De Conti, diretora da empresa de marketing Conti Ações Integradas está com sete ações diferentes nesta semana. Trabalha, em média, dez horas por dia, em ritmo frenético. Não se considera workaholic, mas admite: "meus amigos dizem que a primeira característica de um workaholic é a negação de que faz parte deste grupo", diverte-se.

Em cada evento que faz, cabe a ela criar, organizar e coordenar equipes, definir programas e logísticas. "Minha profissão exige muitos detalhamentos. Para que as ações dêem certo, é preciso que eu me entregue completamente. Assim, tenho que estar à disposição do trabalho em tempo permanente", afirma. Ela acredita que a definição workaholic acaba se anulando, se a pessoa tem prazer em seu trabalho. "No meu caso, trabalho é uma fonte de prazer. Posso trabalhar aos sábados, domingos, seguidamente, que isso não vai me incomodar", finaliza.

(Gazeta Mercantil - Alexandre Staut)

13/06/2008

Ô... gente estúpida!

Olha, não dá mesmo para levar a vida de outra maneira que não seja fazendo piada... depois de escrever esse ablogsurdo baixo, fui dar uma olhadinha nos jornais on line... eis que descubro que até o momento há 52 pessoas a favor da tal CSS. Pode?! Foram 404 votantes... 13% a favor e 87% contra o "novo" imposto.

Atualização: eu não expliquei direito... escrevi correndo e ficou sem sentido... era uma enquete do estadão... eram 404 leitores do estadão, dos quais 52 respondiam "sim, sou a favor da aprovação de CSS"... agora tem setido isso aqui...

Eu gostaria de deixar aqui uma questão que não consigo esgotar sozinha... do que mais é capaz uma pessoa que se voluntaria a pagar um imposto idiota? Que outras anomalias essas 52 pessoas podem fazer? Sei lá, alguma coisa como se oferecer como cobaia de pesquisas perigosas... não sei... não consigo pensar em nada mais, me ajudem!!!!

Demorou, mas voltou...

Um Ablogsurdo novo... nesse longo intervalo eu já li muitos absurdos, mas nenhum me motivou a postar.

Exitei antes de postar isso aqui, mas obtive ontem a autorização do dono do blog em questão - que é um amigo (que todo mundo sabe quem é, mas eu gosto de fazer essa bobagem de suspense...). A situação abaixo é muito interessante.

O blogueiro é um cara engraçado, escreve bem, tem um bom tempo nas piadas... aí, alguém leu, sentiu-se inspirado(a) e pensou... essa é a minha deixa para fazer minha piadinha também, mostrar como sou espirituoso(a)...

Post rapidinho para dar notícias no meio de uma viagem (esse não tem nada de especial, os outros que são engraçados mesmo, mas o ablogsurdo está no comentário que segue... hehehe):

To doidão
Eu to ficando muito louco com o cheiro de maconha dessa cidade...



O cometário:

O que que significa esse comentário??
vc vai voltar pro Brasil e tranferir para a FFLCH??



Eu comentava com alguém que eu não entendo como é que nenhum "filtro interno" teve tempo de agir antes dessa pessoa clicar no "enviar mensagem". Todo mundo está sujeito a se sentir muito engraçado subitamente sem que isso corresponda necessariamente a realidade. Mas a maioria das pessoas consegue perceber que tentou ser Monty Python e acabou Tiririca naqueles preciosos segundos da leitura crítica que fazemos antes de enviar.

É, não foi o caso... realmente.

Eu nem vou fazer a análise da mentalidade, do preconceito, dos verbos pronominais... tudo isso é muito complexo para mim....

09/06/2008

Falando, tipo, de estilo...

Cara, se tem uma coisa que tá me deixando, assim, super-prá-baixo, é estar perdendo a tudo-de-bom Fashion Rio... mesmo que a mega-deusa Gigi (para os não íntimos: Gisele Bundchen) esse ano tenho migrado, com a Colcci, para a SPFW, a semana carioca continua tudoooooo...

Pra matar a saudade eu pensei em colocar umas fotinhas... mas encontrei esse vídeo super fashion e filosófico ao mesmo tempo... uhúuuu... cara, é, tipo assim, fashionsófiquérrimo!!!! Alôou... não entendeu, eu explico: fashion + filosófico + quérrimo (hum... que deve ser, sei lá, alguma tendência... não importa... essas coisas que a gente entende o sentido mas não sabe explicar com palavras...)


Explicações


Sei que parece, mas eu não abandonei o blog. Depois do post homenageando Potirendaba eu perdi completamente a criatividade, não que ele seja magnífico e tenha esgotado minha genialidade, longe disso... mas me diverti bastante o escrevendo.

Desde então, comecei uns 4 posts diferentes, estão todos lá, em rascunho. Começava a escrever e perdia completamente a vontade... então vou esperar alguma coisa que me anime... aceito sugestões!

03/06/2008

Rebond Cultural - Parte 1

No último post eu reclamava da Taux de rebond do blog (porcentagem de visitantes que entram e saem do blog imadiatamente, "os enganados"), mas eu não tinha atentado para um fator importante: cada visitante que entra enganado nos dá a possibilidade de conhecer mais uma cidade, mais um pedacinho do planeta que pode ser tão interessante quanto a nossa...


POTIRENDABA!!!


O nosso primeiro "rebondeiro" homenageado será o amigo que nos possibilitou, no dia 2 de junho, conhecer um pouco mais desse intrigante município do estado de São Paulo.


Antes, eu sugiro que nos deixemos guiar nessa aventura pelo maravilhoso Hino de Potirendaba (com a imagem da bandeira da cidade):




Estribilho:
"Ó Potirendaba,
Teu nome é sagrado!
Nós temos Lembrança;
Temos Esperança. Teu nome é sagrado!"


Agora sim... no clima!


Essa imagem foi obtida no site oficial da cidade que, além de nos dar essa "visão geral" de Potirendaba, também informa:

"A População Total do Município era de 13.656 de habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (2000).

Sua Área é de 342,39 km² representando 0.1379% do Estado, 0.037% da Região e 0.004% de todo o território brasileiro."


Eu tomei a liberdade de aprofundar a informação oficial, acrescentando que sua área também representa 0,000067% do território do Planeta Terra...

Para aquelas pessoas que não têm grande poder imaginativo, aqui vai uma mãozinha:



Para conhecer melhor essa cidade, eu indico seu site oficial, principalmente a Galeria de Fotos e, "ainda mais principalmente" as fotos da animada XIII FESTA DAS NAÇÕES DE POTIRENDABA, da qual eu destaco apenas uma imagem para não estragar a visita...




Ao amigo rebondeiro de Potirendaba o meu muito obrigada... sei que, justamente por ser um rebondeiro, não vai voltar... mas quero registrar mesmo assim! Aos demais, não percam a oportunidade de conhecer melhor essa cidade!

30/05/2008

Taux de rebond: 90%

Essas bandeirinhas lúdicas aí ao lado, nesse globinho simpático, dão a impressão de um cosmopolitismo e de uma importância que estão longe da realidade!

Junto com o contator de visitas, há um sistema complexo de estatísticas do blog, devo dizer, desolador...

Sabe esse cara de Cabo Verde? Saiu do blog imediatamente após entrar... isso é a triste "taux de rebond" (não sei traduzir isso). Essa merda porcaria diz que 90% dos visitantes deixam o blog imediatamente... (o mesmo para o visitante do Porto, o da California, os de Salvador, São José do Rio Preto, Porto Alegre e Campina Grande)

Se eu falar do tempo médio de permanência, fica ainda mais horrível esse quadro. Poxa, eu sabia que eu era desinteressante, mas não imaginava que fosse tanto!

Isso indica que nem mesmo a minha mãe tem dedicado algum tempo aos meus devaneios...

Tenho um visitante quase diário em Lille... grande Pedro! Se bem que ele só entra para roubar as minha idéias, mas tudo bem, esse tempo que ele leva fazendo isso é importante para elevar a média do tempo de permanência... preciso de mais idéias...


Agora, quando eu ponho um elefante com as partes aparentes... aí todo mundo quer ver... "né não", dona Van? heheheh

Bom, chega!

29/05/2008

Entrou para a história... qual?

Dentre as milhares de coisas que eu não entendo, está o jornalismo esportivo.

Eu escrevo várias bobagens aqui, exagero algumas coisas, outras não têm sentido... mas ninguém me paga para isso.

Então, quando leio isso :

"Após cobrança de falta aos 14 minutos, o zagueiro Thiago Silva, de cabeça, empatou a partida e entrou para a história. Ele marcou o primeiro gol da história do Fluminense contra equipes argentinas em jogos em Buenos Aires por torneios sul-americanos".

(Vamos contar: do, contra, em e por)

Me ponho a pensar... é praticamente um Napoleão !

Vou te contar !

27/05/2008

O cúmulo

Acabo de ler um artigo que me tirou completamente do sério. Nem consigo organizar minhas idéias... mas quero reproduzi-lo aqui para que vocês fiquem indignados junto comigo. Lá vai:

Espiritismo nos tribunais

Razão jurídica não pode ser confundida com crença

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (25/5).

Sob a justificativa de tornar a Justiça "mais sensível às questões humanitárias" e discutir questões morais como aborto, eutanásia, pena de morte e pesquisas de células-tronco, um grupo de delegados de polícia, advogados, promotores, procuradores e juízes acaba de criar a Associação Jurídico-Espírita de São Paulo (AJE), com cerca de 200 filiados. Entidades semelhantes já existem no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo e a maior delas é a Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (Abrame), que reúne 700 juízes, desembargadores e até mesmo ministros de tribunais superiores.

Para essas entidades, aplicar o direito é "missão de vida" e nada impediria os juízes de embasar suas decisões em princípios religiosos. "O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita", diz o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE. "Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém", afirma Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça. "Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais", endossa o juiz Jaime Marins Filho. É preciso "questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar", conclui o juiz federal Zalmino Zimmermann, presidente da Abrame.

Entre as propostas defendidas por essas entidades está a utilização de declarações e cartas psicografadas por médiuns espíritas nos tribunais como prova material ou documental inclusive em casos de homicídio. O problema é que, além de essas medidas não terem qualquer comprovação científica, elas comprometem a certeza jurídica e a própria objetividade das decisões judiciais. Acima de tudo, essas medidas colidem com o princípio do Estado laico, que enfatiza a separação entre o poder público e a religião e o prevalecimento do rigor lógico-formal do ordenamento jurídico e o caráter científico do direito positivo sobre crenças de natureza moral e pessoal, critérios sobrenaturais, valores religiosos e as chamadas "verdades reveladas".

A discussão não é nova. Além das entidades de juízes espíritas, há muito tempo existem associações de juristas católicos que foram criadas com o objetivo de "contribuir para a presença da ética católica na ciência jurídica". Um dos integrantes dessas associações, o ministro Carlos Alberto Direito, do Supremo Tribunal Federal, envolveu-se recentemente numa acirrada polêmica com colegas de Corte e com entidades médicas, ao pedir vista da Ação Direta de Inconstitucionalidade que contesta as pesquisas com células-tronco embrionárias. Com isso, apesar da tendência da Corte de rejeitar o recurso, ele sustou o julgamento no dia 4 de março, o que levou a ministra Ellen Gracie a criticá-lo publicamente. Embora o regimento do STF fixe em 30 dias o prazo para vista, até hoje Direito não devolveu os autos ao plenário.

Em vários Estados, advogados vêm apresentando aos Tribunais do Júri declarações psicografadas como estratégia de defesa. Nesse tipo de julgamento, como é sabido, os jurados não precisam fundamentar seus votos. Os juristas espíritas alegam que a psicografia pode ser levada em consideração desde que esteja em "harmonia" com as demais provas. Como não há garantia nem de autenticidade nem de cientificidade de documentos psicografados, muitos promotores pedem a sua impugnação sumária. "Escorar uma decisão com base numa prova psicografada não tem ressonância no mundo jurídico", diz Walter Nunes, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe).

Com o objetivo de fechar brechas legais que desvirtuam julgamentos e abrem caminho para as mais absurdas decisões judiciais, a Câmara dos Deputados está discutindo um projeto que altera o Código de Processo Penal, proibindo expressamente o uso de cartas psicografadas por prova criminal. O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, não poderia ter sido apresentado em melhor hora. Além de preservar a segurança jurídica, ele é uma resposta objetiva àqueles que, sob a justificativa de "espiritualizar" o Judiciário, confundem razão jurídica com crença religiosa.

Revista Consultor Jurídico, 25 de maio de 2008



26/05/2008

Rapidinha...

A última coluna de Hélio Schwartsman, "A guerra dos manifestos", está um primor ! Melhor do que sua análise sobre a questão das cotas para negros em universidades públicas, foi a indicação de dois manifestos, a favor e contra esse sistema.

Quem me conhece sabe que eu sou absolutamente contra cotas raciais, parcialmente contra as cotas baseadas em renda e que só acredito piamente no investimento sério, "apolítico" e de longo prazo na educação pública de base.

Mas eu não teria competência para discorrer sobre esse tema, então indico, além da coluna do Schwartsman, a "Carta de Cento e Treze Cidadãos anti-racistas contra as leis raciais", documento com o qual concordei plenamente. O outro manifesto indicado é o "Manifesto em favor da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial", foi difícil terminar a leitura, porque abomino cada argumento empregado no texto, mas é sempre importante conhecer "o outro lado"...

Eu sei que ninguém vai ler, mas não tem problema. Há uma parte da primeira Carta que me seduziu particularmente, tratando da inexistência de "raças", com bastante amparo científio. Vou me informar melhor e quero escrever sobre isso posteriormente, acho um tema muito interessante.

Ainda tratando de educação, estou apaixonada por um pequeno livro que comprei na semana passada, numa promoção no centro de Paris... custou 1€50 e tem me alegrado a vida. Chama-se "de l'éducation antique à l'éducation chevaleresque", há um capítulo que quero traduzir inteiro aqui, sobre as características da educação romana, porque fala de um ideal muito interessante que se perdeu no tempo e que, na minha modesta opinião, faz alguma falta nos nossos dias... mas isso vai ficar para amanhã ou depois...

24/05/2008

Post esquecido 1

Semana passada eu comecei a escrever um post com a intenção de fazer uma síntese das coisas que tinha pensado durante a semana. Como eu não faço outra coisa além de pensar, o texto tomou proporções inviáveis, tanto em tamanho quanto em confusão...

Não é nada extremamente relevante e eu poderia descartar o rascunho como faço com tantos outros, mas quero publicar, para mudar um pouco esse ar rebelde e truculento que essa história de Marcha para Jesus me trouxe.

O texto começava com "Essa semana, li 3 coisinhas que me colocaram para pensar". Aqui, eu vou tratar da primeira coisinha. Quando eu conseguir organizar a confusão das outras duas coisinhas eu faço outro post...

A primeira coisinha...

Li no último número da Manières de voir, uma edição do Le Monde diplomatique, tratando das "Histórias de Israel".

Eu sempre fui muito ignorante com relação ao Oriente Médio de forma geral, todo o conflito árabe-judeu. Porque isso faz parte daqueles temas que nos levam a dizer "xiii... isso aí é um ninho de vespas, outra hora eu vou procurar entender melhor"... e como está lá longe (geograficamente), essa outra hora nunca chega e nós podemos nos ocupar das coisas mais "práticas".

Há pouco tempo - mais precisamente, depois que eu assumi minha condição humanista, que tem seu ponto de partida bem descrito no extrato filosófico raulseixístico abaixo - eu percebi que esse é um tema extremamente nobre, por nos obrigar a levar em conta 3 perspectivas de mundo totalmente diferentes.

É você olhar no espelho
Se sentir
um grandessíssimo idiota
Saber que é um humano
ridículo, limitado
Que só usa dez por cento

De sua cabeça animal...


Assim, estou tentando entender melhor essa questão, levando em conta 3 sistemas de mundo complexos e conflitantes: o meu (que teima em ser predominante, não sei o por quê ! rs), o judeu e o árabe. Tenho entendido algumas coisas. E, para melhorar a análise, participo de um grupo de discussão sionista e converso com um amigo árabe bastante instruído e que não esconde sua ojeriza pelo Estado de Israel, que para ele é uma grande aberração.

Eu não tenho que me posicionar, porque meu exercício é outro...

Mas, retomando, a primeira coisa que me colocou para pensar veio dessa nova reflexão, mas não se limita a ela, foi uma frase de um historiador britânico-israelense, Avi Shlaïm.

Vou fazer uma tradução bem livre e pessoal:

"Não está totalmente excluída a possibilidade dos israelenses tirarem, um dia, lições de seus erros e elegerem dirigentes conscientes de que a coexistência de dois Estados constitui a única solução verdadeira. As nações, como os indivíduos, são capazes de agir racionalmente - depois de esgotadas todas as outras soluções".


Me limito a dizer que me fez pensar, o que me fez pensar seria muito mais longo e desordenado, então eu vou voltando a isso em outras postagens (somente se eu tiver vontade)...